Identificado fármaco eficaz na prevenção de doença incurável

Doença de Machado-Joseph é uma patologia neurodegenerativa hereditária incurável
11 de março de 2014 - 09h22



Uma equipa liderada pela Universidade do Minho desenvolveu um modelo que comprova a eficácia do fármaco 17-DMAG nos casos de Machado-Joseph, ao "atrasar a progressão" da doença, e que está também a ser testado em tumores cancerígenos avançados.



Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, a Universidade do Minho (UMinho) adianta que os resultados da investigação - coordenada pela investigadora do Laboratório Associado ICVS/3B's da academia minhota Patrícia Maciel - foram publicados na "prestigiada" revista Neurotherapeutics.



A Doença de Machado-Joseph é uma patologia neurodegenerativa hereditária incurável causada por uma mutação no gene ATXN3 e que se caracteriza pela descoordenação dos movimentos corporais, incluindo défices piramidais, extrapiramidais e cerebelosos, bem como neuropatia periférica e, em alguns casos, parkinsonismo que pode ter interferências na coordenação dos dedos, mãos, braços e pernas, nos movimentos oculares e no mecanismo de deglutição.



O fármaco 17-DMAG "induz a autofagia, um mecanismo celular de defesa, cuja ativação provou em estudos anteriores ser benéfica na proteção contra esta patologia", diz a bioquímica Patrícia Maciel, explicando os resultados da investigação da sua equipa.



O fármaco "atrasa a progressão da doença e está inclusivamente a ser testado em tumores cancerígenos avançados", refere, por seu lado, o comunicado UMinho.



O modelo utilizado para validar a ação do 17-DMAG foi desenvolvido em ratinhos e reuniu manifestações clínicas e patológicas semelhantes às da DMJ.



"Os ratinhos apresentam uma progressiva descoordenação motora, perda de força e neurónios, bem como uma agregação da proteína ataxina-3 mutada em várias regiões do cérebro", contextualiza a especialista.



A academia minhota adianta ainda que o referido modelo "reproduz muito fielmente a doença" e "constitui uma ferramenta valiosa para testar novas estratégias terapêuticas".



Patrícia Maciel, de 42 anos, é licenciada em Bioquímica, com doutoramento em Ciências Biomédicas na Universidade do Porto e na Universidade McGill, no Canadá, foi docente no Instituto Superior de Ciências da Saúde-Norte e investigadora no Instituto de Biologia Molecular e Celular e, desde 2002, é professora na Escola de Ciências da Saúde e investigadora do ICVS - Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da UMinho.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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