Hospital de Vila Franca de Xira abre com falta de médicos nas urgências

Também há alta de médicos de família nos concelhos abrangidos pela nova unidade de saúde
27 de março de 2013 - 18h02



O diretor clínico do novo Hospital de Vila Franca de Xira, que recebe os primeiros doentes na quinta-feira, admitiu hoje que faltam médicos para completar as equipas fixas de trabalho nas urgências.



"Continuamos à procura de mais algumas pessoas para completar estas equipas. É uma necessidade que sentimos, termos equipas treinadas e vocacionadas para um trabalho que é muito exigente e tem muitas particularidades. Trabalhar na urgência não é como trabalhar no internamento", explicou Carlos Rabaçal, à margem de uma visita ao edifício, um dia antes da abertura das consultas externas.



Segundo o responsável clínico, o hospital "delineou e projetou trabalhar na urgência com equipas dedicadas, com especialistas de medicina interna e com médicos da especialidade da medicina familiar" que, neste momento, estão em falta, havendo a necessidade de contar com clínicos de outras especialidades que também trabalham nas urgências.



A situação agrava-se devido à falta de médicos de família nos concelhos abrangidos pela nova unidade de saúde.



"Há alguma falta de médicos de família. Se a medicina familiar à volta do hospital tiver os seus quadros completos haverá uma menor necessidade de muitas pessoas se deslocarem ao hospital", frisou Carlos Rabaçal, dando um exemplo concreto.



"Em média, por dia, a urgência do hospital de Vila Franca de Xira atende cerca de 300 doentes. Desses, 200 no balcão de adultos e metade são efetivamente situações de consulta e não de verdadeiras urgências", disse.



O processo de transferência de serviços do atual para o novo hospital começa na quinta-feira de manhã, com a abertura das consultas externas, e termina a 03 de abril, dia em que "todos os serviços estarão a funcionar em pleno nas novas instalações", segundo a administração.



O novo equipamento é três vezes maior do que o atual hospital de Reynaldo dos Santos. Tem capacidade anual para 16 mil internamentos, oito mil cirurgias, 192 mil consultas externas, 104 mil urgências, 280 camas de internamento, nove salas do bloco operatório e 33 gabinetes de consulta externa.



Está equipado com cinco salas de parto e uma de cesariana - hospital espera fazer cerca de 1.900/2.000 partos por ano -, além de passar a ter três novas especialidades: hemodiálise, infeciologia e psiquiatria. Por todo o edifício estão espalhados 266 relógios de parede.



"Vamos ter capacidade de oferecer um serviço à população mais completo e em melhores condições do que aquilo que fazemos neste momento no velhinho hospital de Vila Franca de Xira", assegurou o diretor clínico.



A transferência de cerca de 300 doentes do atual para o novo hospital vai acontecer a 02 de abril.



"É um processo complicado e delicado. Há uma logística que está preparada conjuntamente com a autarquia, a polícia, bombeiros, os serviços das ambulâncias e com pessoal do hospital, para que tudo decorra dentro da maior das normalidades. Se assim for, contamos que os doentes tomem o pequeno-almoço no velho hospital e que almocem no novo hospital", salientou Carlos Rabaçal.



O equipamento vai prestar cuidados de saúde a uma população de perto de 215 mil utentes dos concelhos de Vila Franca de Xira, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja e Benavente.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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