Hospital de Misericórdias do Entroncamento endivida-se por atrasos do SNS no pagamento de cirurgias

SNS demora, em média, oito a nove meses a pagar cirurgias realizadas

O hospital da Misericórdia do Entroncamento realiza anualmente 1.200 cirurgias no âmbito do combate às listas de espera, mas o tempo que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) demora a pagar obriga a instituição a endividar-se na banca, revelou o provedor.

De acordo com o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento, Manuel Fanha Vieira, desde 2004 que o Hospital São João Batista realiza cirurgias para o SNS, no âmbito do programa de combate às listas de espera.

Apesar de reconhecer a importância desta participação do Hospital São João Batista no combate às listas de espera para cirurgia, o provedor lamentou à Agência Lusa o atraso no pagamento das mesmas, o que “prejudica o andamento da tesouraria”.

O SNS demora, em média, oito a nove meses a pagar as cirurgias realizadas nesta instituição, o que, segundo Manuel Fanha Vieira, obriga esta Misericórdia a contrair empréstimos bancários e a pagar juros por isso.

“As dívidas prejudicam o andamento das contas, pois precisamos de pagar aos profissionais de saúde e aos fornecedores”, disse.

Apesar destes atrasos, Manuel Fanha Vieira diz que “nenhuma cirurgia é negada” e espera que o SNS cumpra mais cedo os seus compromissos, nomeadamente através dos 90 dias previstos na lei.

O provedor garante que o Ministério da Saúde tem conhecimento da situação, nomeadamente através do presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos.

Manuel Lemos disse à Lusa que, tirando o caso da Misericórdia do Entroncamento, não tem conhecimento de hospitais da UMP que estejam a passar por situação tão grave.

Afirmou ainda que as Misericórdias têm capacidade para trabalhar ainda mais com o Ministério da Saúde, nomeadamente através do acordo que será hoje assinado e que coloca os 12 hospitais em "pé de igualdade" com os do SNS.

Com este acordo, os utentes que optarem pelos hospitais das Santas Casas da Misericórdia “passam a pagar apenas as taxas moderadoras”, como sucede nos hospitais da rede do SNS, acrescentou uma fonte das Misericórdias.

A maioria dos hospitais envolvidos situa-se na região Norte: Esposende, Fão, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Póvoa de Lanhoso, Riba de Ave, Vila do Conde e Vila Verde.

O protocolo de cooperação abrange ainda o hospital da Misericórdia na Mealhada, na região Centro, e os hospitais da Misericórdia de Benavente e Entroncamento, em Lisboa e Vale do Tejo.

Segundo o Ministério da Saúde, estes acordos permitirão a realização de cerca de 15.000 cirurgias anuais e 100.000 consultas, das quais 40.000 são primeiras consultas de especialidade hospitalar.

29 de março de 2011

Fonte: LUSA/SAPO

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