Hospital atrasa doentes com cirurgias fictícias para não perder dinheiro

A administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, que gere três hospitais da região, criou num esquema fictício que envolve cancelamentos e reagendamentos sucessivos de procedimentos cirúrgicos para não pagar operações em hospitais privados.
créditos: PAULO NOVAIS / LUSA

O Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), que gere os hospitais de Aveiro, Águeda e Estarreja, está a atrasar as operações aos doentes com a marcação de cirurgias fictícias, ou seja, procedimentos cirúrgicos que são marcados mas que não são realizados nem informados aos doentes.

As operações são depois reagendadas e consecutivamente adiadas, havendo casos em que os doentes nem sequer sabem que têm cirurgias marcadas, escreve a edição impressa desta sexta-feira do Jornal de Notícias.

Dessa forma a administração liderada por José Afonso não engrossa a lista de espera de cirurgias, não sendo por isso penalizada financeiramente no contrato-programa com o Governo.

Por outro lado, a administração evita despesas ao não enviar os doentes para operações em hospitais privados, procedimentos que são pagos pelos hospitais de origem dos doentes.

Depois de um médico confirmar a necessidade de um doente ser alvo de uma cirurgia, o hospital tem, à luz da regulamentação nacional, até quatro meses para operar um doente normal, até dois meses os prioritários e até um mês os muitos prioritários. Caso os prazos não sejam cumpridos, os doentes recebem um "vale" para que possam ser operados mais rápido noutro hospital.

Ao jornal supracitado, a administração do hospital confirmou que o CHBV foi alvo de uma investigação da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), em 2014, que detetou irregularidades, entretanto "sanadas". Segundo o diretor clínico, os cancelamentos e reagendamentos "nunca prejudicaram o doente", escreveu em comunicado.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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