Hospitais promovem rastreios ao cancro da cabeça e pescoço

Todos os anos surgem em Portugal cerca de 3.000 novos casos, com taxa de mortalidade de 60%
23 de setembro de 2013 - 08h34



Hospitais de todo o país promovem, na quarta-feira, rastreios gratuitos ao cancro da cabeça e pescoço, no âmbito de uma campanha europeia que alerta para a importância do diagnóstico precoce de uma doença que mata três portugueses por dia.



A campanha, que tem como mote “Se tem pelo menos um destes sintomas há mais de três semanas, consulte imediatamente o seu médico”, decorre de 23 a 27 de setembro em onze países europeus: Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, França, Inglaterra, Polónia, Turquia, Dinamarca, Finlândia e Holanda.



Em Portugal, a campanha de sensibilização é organizada pelo Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP), em colaboração com Sociedade Europeia de Cabeça e Pescoço, e conta com a participação de mais de 20 hospitais do país, que abrem as portas na quarta-feira de manhã a quem pretenda fazer o rastreio.



Todos os anos surgem em Portugal cerca de 3.000 novos casos, com “uma taxa de mortalidade altíssima”, próxima dos 60%, adiantou o presidente do GECCP, Jorge Rosa Santos.



“Os doentes prolongam a doença sem recorrer a centros de referência e a centros especializados e quando intervimos a doença já está numa fase muito avançada, o que implica uma taxa de mortalidade muito alta e um tratamento altamente mutilante, com redução da estética do doente e das suas capacidades funcionais e a consequente quebra da qualidade de vida do doente”, sustentou.



O médico observou que se estes doentes fossem detetados numa fase precoce, os tumores eram curáveis em 95% dos casos e com “uma mutilação mínima”.



Contudo, “as pessoas não estão sensibilizadas para o cancro da cabeça e pescoço – que abrange todos os tumores nesta área anatómica, com exceção dos tumores crânio encefálicos -, nem conhecem esta designação”, lamentou.



Mas o desconhecimento não é só em Portugal: no ano passado foi feito um estudo na Europa que concluiu que 77% da população europeia desconhecia este cancro, elucidou.



“Apesar de todos os avanços do tratamento destas doenças (…), o que é um facto é que os resultados têm sido dececionantes. Conseguimos melhorar um bocadinho a sobrevida destes doentes, mas em termos de cura não temos evoluído muito a e mortalidade mantém-se altíssima”, sublinhou.



Por esta razão é que surgiu a campanha europeia “The Make Sense Campaign”, que chama a atenção para os sintomas, fatores de risco e formas de prevenção da doença.



A campanha teve “uma resposta excelente da maioria dos hospitais portugueses”, que permitiu ter “um dia aberto [quarta-feira] no qual será feito rastreios na área de cabeça e pescoço”.



O consumo exagerado de álcool e tabaco são os maiores fatores de risco para o aparecimento desta doença: 85% das vítimas são fumadores ou ex-fumadores.



Mariluz Martins, médica do IPO Lisboa e membro do GECCP, alerta também que as relações sexuais não protegidas e com vários parceiros aumentam a probabilidade de contrair vírus do papiloma humano (HPV), que está diretamente ligado ao cancro oral e da garganta.



“Infelizmente temos cada vez mais jovens afetados por esta doença”, sublinhou.



Os sintomas da doença, a quarta patologia com maior incidência em Portugal, são variados e podem passar por rouquidão persistente, dor de garganta, úlceras ou manchas na boca e dificuldade em engolir.



Estimativas para 2020 indicam que a incidência desta doença aumentará 30% devido ao crescimento e envelhecimento da população mundial.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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