Há pelo menos 52 escolas com amianto em Portugal, intervenção continua atrasada

Há 52 escolas em Portugal cuja construção envolve compostos de amianto
31 de janeiro de 2014 - 17h22



Ainda há escolas com telhados com amianto, apesar de integrarem uma lista prioritária do Ministério da Educação que, no ano passado, prometeu substituir as coberturas de fibrocimento por conterem aquela substância cancerígena.



Em março do ano passado, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) anunciou um programa de remoção de placas de fibrocimento, tendo apresentado uma lista de 52 escolas prioritárias.



Na altura, a intenção do MEC era ter as intervenções nestas escolas prioritárias concluídas até final das féras de verão.



A Lusa contactou alguns desses estabelecimentos e encontrou situações diversas, desde casos de substituições integrais dos telhados até histórias de diretores que ainda aguardam o arranque das obras.



A Escola Básica e Secundária Professor Mendes dos Remédios, no Alentejo, pertence ao grupo dos estabelecimentos onde ainda não aconteceu nada: “Fazemos parte da lista apresentada pelo ministério, mas não fomos alvo de nenhuma intervenção. Nunca ninguém nos veio visitar”, contou à Lusa Teresa Mendes, sub-directora da escola frequentada por alunos do 5.º ao 12.º ano.



Também no Alentejo, a Básica Bernardim Ribeiro não teve ainda qualquer intervenção. Segundo a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), este estabelecimento em Évora está "todo coberto de amianto".



À Lusa, a Confap apontou ainda a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, e a Escola Secundária Damião de Góis, em Alenquer, como outros dois exemplos sem obras, apesar de constarem da lista.



As coberturas em fibrocimento que contêm amianto devem ser removidas sempre que o material não está em bom estado, uma vez que o amianto é um material cancerígeno, proibido desde 2005.



O vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, disse à Lusa que fez uma ronda pela lista do MEC e encontrou um “pouco de tudo”: “Vi escolas que não tiveram qualquer intervenção. Vi escolas que foram parcialmente intervencionadas e escolas onde foi tudo substituído”, contou à Lusa.



Entre os estabelecimentos com obras já realizadas, surge a Escola Básica 2/3 Gonçalo Nunes, em Barcelos, que é atualmente frequentada por 750 alunos, do 5.º ao 9.º ano.

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