"Há médicos dentistas a ganhar menos dinheiro do que uma empregada doméstica"

A crítica é feita por Miguel Stanley, médico dentista, e organizador do Congresso de Medicina Dentária que começa esta quinta-feira no Estoril.

Diretor clínico do Centro Médico Dentário da Abraço, Marcos Veiga (D), no consultório da instituição, Lisboa, 30 de novembro de 2014. Mais de 35 dentistas voluntários tratam gratuitamente da saúde oral a 1.284 seropositivos no Centro Médico Dentário da Abraço, onde alguns faltam às consultas porque não têm dinheiro para os transportes. (ACOMPANHA TEXTO) INÁCIO ROSA/LUSA

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Em entrevista à TSF, Miguel Stanley diz que existe nesta altura um problema de excesso de oferta em vários países.

De acordo com o dentista, em Portugal a questão é particularmente séria: "temos sete faculdades a produzir 70 a 80 dentistas [cada uma] por ano. Portugal tem a maior densidade de dentistas da Europa".

Miguel Stanley diz ainda que o resultado do excesso destes especialistas é a emigração de um elevado número de dentistas ou o pagamento de ordenados muito baixos.

"Há médicos dentistas a ganhar menos dinheiro do que uma empregada doméstica", comentou.

Miguel Stanley diz que o ideal seria integrar a medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde, mas reconhece que isso traria custos para o país.

"Praticar medicina dentária de excelência custa muito dinheiro e não estou a ver como é que isso poderá alguma vez ser incluído no Serviço Nacional de saúde sem quebrar a coluna vertebral do mesmo", comentou ainda.

O congresso que começa esta quinta-feira e termina no sábado é organizado pela Southern European, North African Middle Eastern, Modern Dentistry and Implant Society (SENAME), e vai juntar 500 especialistas e estudantes de mais de 30 países.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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