Greve na Saúde obriga ao cancelamento de 90% das consultas

Apenas 10% das 300 consultas externas previstas para esta sexta-feira no Hospital de São José se realizaram, devido à greve dos administrativos e auxiliares, que rondou os 90% nos hospitais de todo o país.
créditos: AFP PHOTO/ PATRICIA DE MELO MOREIRA

Depois de um primeiro balanço relativo aos turnos da noite, durante os quais apenas foram prestados os serviços mínimos, nos primeiros turnos da manhã os níveis de adesão à greve andaram entre os 80% e os 90%, tendo em alguns casos chegado a 100%, disse à Lusa Luís Pesca, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FP).

Frente à pouco movimentada porta de entrada das consultas externas do Hospital de São José, Luís Pesca fez um balanço da greve de hoje e avançou que uma nova greve está já prevista para os meses de novembro e dezembro.

“A partir de 1 novembro nós metemos um pré-aviso de greve ao trabalho prestado para além do período normal de trabalho, ou seja, todo aquele trabalho que é prestado para além do período normal obrigatório de trabalho. Os trabalhadores irão fazer greve até 31 de dezembro e vamos provar que existem trabalhadores a fazer mais do que um turno e que existe falta de pessoal”, afirmou.

Segundo as contas do sindicato, para fazer face às necessidades dos serviços de saúde seria necessário contratar cerca de seis mil funcionários.

Ministério socorre-se do centro de emprego nestes dias

Na opinião de Luís Pesca, o problema, e a dificuldade em aferir números concretos, é que “o Ministério da Saúde consegue mascarar estes números indo chamar aos centros de emprego os trabalhadores em contrato de emprego e inserção social”.

“Trabalhadores que não são trabalhadores, são desempregados, que são chamados a prestar funções no Serviço Nacional de Saúde, sem nenhuma preparação, sem formação profissional, só podem estar um ano e ao fim de um ano vão-se embora e vem outro”, acusou.

Segundo dados do sindicato, naquela unidade de saúde estavam previstas 300 consultas, mas ”nem 10% estão a acontecer”.

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