Formação do tronco e cauda em vertebrados pode explicar doenças congénitas

11 de junho de 2013 - 14h39



Um estudo de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência revela os mecanismos por trás da formação do tronco e cauda em vertebrados e “pode contribuir para um melhor conhecimento” de algumas síndromas humanas congénitas, informou hoje a instituição.



No trabalho, publicado na segunda-feira na revista Developmental Cell, é “demonstrado que a transição da formação do tronco para a cauda está intrinsecamente relacionada com a indução da formação das pernas e da cloaca (abertura final dos tratos digestivo, reprodutivo e urinário) embrionária e que esta transição é coordenada por uma cascata genética desencadeada pelo fator de sinalização Gdf11”, indica um comunicado do Instituto Gulbenkian de Ciência.



A equipa dirigida por Moisés Mallo verificou, em experiências com ratinhos, que quando o Gdf11 é geneticamente inativado “os animais têm troncos maiores e as pernas se localizam mais longe dos braços” e que quando o Gdf11 é ativado precocemente o resultado são “troncos extremamente reduzidos” e pernas localizadas imediatamente a seguir aos braços.



“Ficámos de queixo caído quando vimos estes embriões pela primeira vez, porque nunca antes tinham sido observadas alterações tão grandes na posição das pernas”, disse Moisés Mallo.



A investigação indicou também que “o programa genético que regula a transição da formação do tronco para a cauda tem que ser coordenado na perfeição no tempo e no espaço”, segundo o comunicado.



As alterações podem levar a malformações na parte inferior do corpo, que afetam normalmente “a coluna vertebral e os tratos digestivo, urinário e reprodutor”, refere, adiantando que “estas malformações reproduzem de perto as características clínicas de algumas patologias humanas como a Síndrome da Regressão Caudal ou a Disgenesia Vertebral Segmentar”.



Moisés Mallo assinalou que o que foi descoberto pela sua equipa “pode ser importante não só para entender os mecanismos que geram uma tão grande diversidade anatómica dos vertebrados, mas também para dar pistas relevantes” para a compreensão de algumas daquelas síndromas humanas congénitas.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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