Fármaco da família da cafeína melhora memória de doentes de Alzheimer

Um grupo de cientistas, com portugueses, demonstrou que um fármaco semelhante à cafeína atua sobre lesões cerebrais relacionadas com a doença de Alzheimer e melhora o desempenho de funções da memória nos doentes.
créditos: SXC

Os investigadores usaram um novo fármaco da família da cafeína, o MSX-3, que conseguiu atacar uma das principais causas do declínio cognitivo característico da doença, que é a acumulação de uma proteína responsável pela morte das células nervosas cerebrais.

"Dando este fármaco aos animais num período de tempo de um a dois meses, não verificamos reversão total das características, mas conseguimos uma melhoria significativa no desempenho, nas tarefas de memória, portanto o aumento da memória, conseguimos diminuir os sinais de inflamação no cérebro e também mostrar a diminuição, ou uma melhoria significativa, na acumulação de proteínas anormais", explicou hoje à agência Lusa a neurocientista do Instituto de Medicina Molecular (IMM) Luísa Lopes.

O estudo, que aponta novas estratégias no combate à doença, foi publicado na revista "Molecular Psychiatry", do grupo "Nature", e resultou do trabalho de um grupo de investigadores do Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, em França, em colaboração com o IMM, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e da Universidade de Bonn, na Alemanha.

O principal avanço é perceber que, num modelo já com progressão da doença, "um fármaco desse tipo atua", referiu a cientista, recordando que estudos anteriores já tinham concluído que a cafeína é benéfica em algumas situações deste tipo.

No entanto, este fármaco "tem uma natureza mais focada, com menos efeitos secundários", realçou.

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