Falta de profissionais está a aumentar número de cesarianas no SNS

Em 2010 o país registou uma taxa de cesarianas de cerca de 36 por cento
25 de fevereiro de 2015 - 14h03



Um estudo hoje divulgado pela Universidade de Aveiro conclui que o elevado número de cesarianas efetuado no serviço público de saúde deve-se ao facto de os hospitais não terem profissionais suficientes “para que haja tranquilidade” na hora de decidir.



O estudo sobre a realização de partos, elaborado pelo Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial (DEGEI) da Universidade de Aveiro, conclui que a preferência pela cesariana é tomada muitas vezes num contexto de cansaço por turnos prolongados e partos morosos.



“No setor público, os médicos ganham uma remuneração fixa, independentemente das consultas ou das cirurgias efetuadas. Assim, a preferência pela cesariana em detrimento do parto natural não se deve a questões económicas mas organizacionais. A opção pela cirurgia deve-se ao facto de os hospitais não terem profissionais suficientes para que haja tranquilidade na tomada da decisão mais apropriada”, refere o estudo.



O trabalho da Universidade de Aveiro regista que existem equipas “a fazer turnos de muitas horas e muitas cesarianas são decididas, na sequência de trabalhos de parto prolongados, no momento do cansaço e antes de entrar pela madrugada adentro”.



A decisão pela cesariana “tende a ser tomada para evitar a vigília médica durante a madrugada”, adverte a investigação de Aida Isabel Tavares e Tânia Rocha, do DEGEI.



Já no setor privado são razões económicas que ajudam a explicar o elevado número de cesarianas praticadas, concluem as duas investigadoras da Universidade de Aveiro.



“Uma cesariana custa, em média, o dobro de um parto normal”, aponta Aida Isabel Tavares, lembrando que, se o parto for por cesariana, a mãe e o recém-nascido têm que ficar mais dias no hospital, o que tem um custo acrescido por cada dia suplementar.



Para a investigadora, nem sempre é alheia à decisão o facto de, no setor privado, a remuneração de um médico obstetra ser composta por uma componente fixa e outra variável, que depende do número de consultas ou de intervenções realizadas pelo médico.

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