Exportação de médicos e enfermeiros em 2011 e 2012 custou ao Estado 700 milhões

Profissionais de saúde a procurar trabalho no estrangeiro tem aumentado de ano para ano
9 de julho de 2014 - 09h12



Portugal perdeu mais de 700 milhões de euros com a exportação de médicos e enfermeiros em 2011 e 2012, tendo em conta os custos de formação destes profissionais, de acordo com o estudo “Cortar ou investir na Saúde”.



A investigação, realizada pela Associação de Inovação e Desenvolvimento em Saúde Pública (INODES) e apresentada na terça-feira (08.07) em Lisboa, refere que “o total de perda para o país, correspondente aos custos de formação dos médicos e enfermeiros exportados durante esses anos, bem como a perda de produção nos respetivos anos, equivale a 234.382.495 euros em 2011 e 483.517.800 em 2012.



Apesar de os autores reconhecerem que “esta estimativa tem seguramente muitas fontes de imprecisão”, consideram que “pode ser útil, na medida em que proporciona uma ideia da ordem de grandeza do problema de emigração nas profissões da saúde”.



No estudo, é referido o custo médio, por aluno, com a formação destes profissionais: 72.436 por enfermeiro e 101.656 euros por médico.



Em 2011, 354 médicos e 1.724 enfermeiros solicitaram a declaração de reconhecimento de qualificações profissionais fora de Portugal.



No ano seguinte, pediram o documento 520 médicos e 2.814 enfermeiros.



No documento, os autores consideram que “há um pensamento errado de que a emigração, com a consequente diminuição de emprego, leva ao crescimento da economia”.



“A «exportação» de portugueses, maioritariamente jovens qualificados, acarreta um custo económico e social brutal, sendo que muitos dos que partem não regressam, havendo um forte investimento público que é desperdiçado e aproveitado pelos países de acolhimento”, lê-se no documento.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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