Estudo revela que as lesões cerebrais são comuns depois dos cuidados intensivos

A comunidade médica desconhece amplamente o fenómeno, defende o norte-americano autor do estudo
3 de outibro de 2013 - 09h59



Muitas pessoas internadas nas unidades de cuidados intensivos (UCI) para tratar problemas como um ataque cardíaco sofrem déficits mentais similares a lesões cerebrais traumáticas, anunciaram cientistas americanos na quarta-feira.



O problema é "muito comum" e afeta três quartos das pessoas tratadas em UCIs. O dano cerebral subsequente dura pelo menos um ano em pelo menos um em cada três, destacou um estudo publicado no jornal New England Journal of Medicine.



A comunidade médica desconhece amplamente o fenómeno, afirmou o autor Wes Ely, professor de Medicina da Universidade Vanderbilt em Nashville, Tennessee, citado pela agência France Presse.



"Temos um dilema na medicina, com tantas pessoas a deixarem os nossos cuidados com uma forma de dano cerebral que é essencialmente insuspeita para o profissional médico mediano", disse Ely à AFP.



"Trabalhamos tanto para ajudá-los a sobreviver e pensamos que quando deixam de precisar dos aparelhos e saem do estado de choque já temos o nosso trabalho feito", comentou. "Estas pessoas podem ter sobrevivido, mas ainda estão com uma série de problemas", acrescentou.



Estudos anteriores já tinham mostrado que o delírio provocado por estas lesões cerebraus pode levar a atrofia cerebral, ao inflamar e matar neurónios, embora outros estudos sejam necessários para compreender o problema.



O estudo foi feito com 821 pacientes, dos quais 6% tinham algum tipo de prejuízo cognitivo quando entraram no hospital.



Os pacientes, entre os 18 e os 99 anos, deram entrada nos cuidados intensivos depois de sofrerem ataques cardíacos severos, insuficiência respiratória ou choque séptico. O estado de delírio desenvolveu-se em 74% dos pacientes enquanto estavam no hospital e normalmente teve quatro dias de duração.



SAPO Saúde com agências
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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