Estudo indica que imunoterapia pode ser eficaz no tratamento de cancro

Terapia provocou regressão tumoral completa numa mulher nos Estados Unidos
12 de maio de 2014 - 13h33
Um tratamento experimental, que ajuda a reprogramar o sistema imunitário do paciente para atacar tumores, pode funcionar num amplo espectro de cancros comuns, revela um estudo preliminar publicado nos Estados Unidos.
Até agora, os maiores êxitos da técnica conhecida como terapia celular adotiva (ACT) foram registados no tratamento de melanoma, mas os investigadores estão curiosos para ver se a abordagem pode funcionar também em tumores malignos do trato digestivo, do pulmão, pâncreas, da mama e bexiga.
A revista científica Science, que publicou o artigo, que descreve como a técnica conseguiu reduzir tumores numa mulher de 43 anos que sofre de colangiocarcinoma, uma forma de cancro do trato digestivo que se espalhou para os pulmões e para o fígado.
O resultado do estudo pode representar um avanço na luta contra o cancro epitelial, grupo que responde por 80% de todos os tumores malignos e 90% das mortes pela doença nos Estados Unidos.
O processo consistiu em recolher as próprias algumas células do sistema imunitário da paciente - linfócitos infiltradores de tumores (TILs) -, selecionando aquelas com a melhor atividade antitumoral. Depois, em laboratórios, estas mesmas células eram desenvolvidas para serem reintroduzidas na paciente.
Assim que a paciente recebeu a primeira injeção de TILs, os tumores metastáticos no pulmão e fígado estabilizaram.
Cerca de 13 meses depois, a doença voltou a progredir. Nessa altura, os médicos voltaram a submeter a paciente ao tratamento, causando uma "regressão tumoral", destacou o estudo.
O cientista que conduziu a investigação, Steven Rosenberg, alerta que o estudo está numa fase inicial, mas frisa que este pode fornecer novas diretrizes para novas investigações.
Cientistas e médicos de todo o mundo esperam que, um dia, uma variedade de tratamentos possam ser personalizados com base no sistema imunitário individual, substituindo a quimioterapia como a principal forma de combate ao cancro.
Por SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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