Detetada carne imprópria para consumo em vários talhos do país

Um estudo realizado à carne vendida em talhos da Grande Lisboa, Porto e Setúbal revela más condições de higiene e conservação e a presença de salmonelas e sulfitos. Por isso, a DECO PROTESTE, que encomendou o estudo, desaconselha a compra de carne já picada em superfícies comerciais.

Além de temperaturas de venda desadequadas – em média, a carne estava conservada a 9ºC, quando a lei prevê um máximo de 2ºC –, a higiene e a conservação falharam em todos os 26 locais visitados. "O conselho da DECO PROTESTE é claro: não compre carne picada. Faça-o em casa, de preferência, ou escolha a peça no talho para picar", alerta a organização num comunicado enviado às redações.

Autorizados nalguns preparados de carne  - como nas salsichas frescas -, com um limite de 0,45 g/kg, os sulfitos são proibidos na carne picada. Quase todas as amostras continham estes aditivos, exceto as compradas na cadeia Pingo Doce e no Intermarché de Setúbal.

Muitas vezes, as quantidades eram inacreditavelmente elevadas, chegando a 4,27 g/kg. Para os alérgicos a este aditivo, pode ser perigoso, pois a confeção não a destrói. Os comerciantes que usavam ilegalmente sulfitos, uma análise semelhante feita há um ano, continuam a fazê-lo impunemente.

Segundo a análise da DECO PROTESTE, a higiene e a conservação não arrecadam uma única nota positiva em nenhum dos 26 estabelecimentos analisados. (Veja o vídeo em baixo)

A DECO PROTESTE encontrou muitos problemas microbiológicos: contagem de microrganismos muito elevadas, bactérias que habitam os intestinos dos animais e outras que podem ter chegado aos alimentos por descuido de quem manipula e ainda bactérias potencialmente patogénicas. Quase metade das amostras continham Listéria monocytogenes e, no Grande Porto, 30% tinham Salmonella.

Mistura de carnes ilegal

Por outro lado, todas as amostras tinham vestígios de outras carnes, incluindo de aves. Desde o último estudo em 2013, nada mudou, nem mesmo nos 12 talhos novamente avaliados.

"A fiscalização tem de ser mais frequente e abrangente, com uma Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) mais ativa. Já da Secretaria de Estado da Alimentação, espera-se que proíba a venda de carne já picada", comentou a DECO PROTESTE no referido comunicado enviado às redações.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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