Especialistas alertam que medidas de combate ao cancro não funcionam

Fórum Mundial de Oncologia


4 de fevereiro de 2013 - 17h11



Um grupo de especialistas internacionais que participam hoje no Fórum Mundial de Oncologia instou os Governos a tomarem medidas urgentes para travar o “aumento catastrófico” de mortes por cancro e denunciou o não funcionamento das atuais estratégias para controlo da doença.



No dia mundial de luta contra o cancro, os participantes no referido fórum alertam para a rápida escalada do custo económico e humano do cancro e chamam a atenção para o facto de as “atuais estratégias para controlo do cancro não estarem a funcionar”.



Os especialistas pedem “medidas urgentes para deter um aumento catastrófico em morte e sofrimento” por cancro, em todo o mundo, e apelam ao cumprimento dos compromissos assumidos na Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2012, para reduzir as mortes prematuras por doenças não transmissíveis, incluindo cancro, em 25%, até 2025.



Os participantes no Fórum Mundial de Oncologia (FMO) - organizado pela Escola Europeia de Oncologia, em parceria com a The Lancet com a finalidade de avaliar o progresso na luta contra o cancro - pediram ainda aos governos e legisladores que se comprometam a encontrar estratégias que tenham demonstrado ser eficazes e realizáveis em qualquer parte do mundo.



Nova estratégia podia salvar um milhão e meio de pessoas



“Cumprir esses compromissos poderia salvar a vida de um milhão e meio de pessoas por ano, em todo o mundo”, afirmam, em comunicado.



As medidas propostas pelo FMO têm por base a prevenção (redução dos fatores de risco como o tabaco), tratamento (deteção precoce e acesso a diagnóstico, cura e cuidados paliativos) e o apoio aos doentes (acesso eficaz ao controlo da dor, eliminando burocracias e outras barreiras logísticas no acesso à morfina).



Os especialistas apontam ainda a necessidade de acelerar a procura de cura para cancros ainda não curáveis, desenvolvendo novas formas de colaboração público-privadas.



Para alcançar estas medidas, alertam que é necessário educar decisores políticos e cidadãos para combater os entraves a mobilizar forças contra o cancro e incentivar as pessoas a procurarem ajuda médica, o mais cedo possível, perante a mínima suspeita da doença.



O FMO sublinha ainda a necessidade de promover e fortalecer os sistemas sustentáveis de saúde, universalmente acessíveis, suportados por mecanismos de financiamento inovadores e com evidência de custo-benefício, com base nos melhores resultados e não por interesses económicos.



Número de casos duplicará



O cancro é uma das maiores causas de morte em todo o mundo e estima-se que o número de novos casos, por ano, duplique nos próximos 25 anos, atingindo os 22 milhões em 2030.



Esta realidade terá mais peso em países menos preparados para detetar e tratar a doença, afirmam, salientando contudo que “este cenário catastrófico pode ser evitado”, desde que se ponham em marcha medidas internacionais, como as que foram criadas para dar resposta à crise da Sida há 20 anos.



Lusa


artigo do parceiro: Nuno Noronha

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