Especialista em saúde pública alerta para riscos de falta de higiene das roupas de cama

Na cadeia da Carregueira, colchões não são lavados há 12 anos e cobertores há dois
17 de março de 2014 - 11h54



O especialista em saúde pública Mário Durval alertou hoje para os riscos da falta de higiene das roupas de cama, a propósito do caso da prisão da Carregueira, sublinhando que pode implicar o aparecimento de doenças infeciosas e pragas.



O alerta de Mário Durval, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, surge na sequência de uma notícia divulgada hoje pelo Jornal de Notícias, que denuncia a falta de condições de limpeza das roupas de cama no Estabelecimento Prisional da Carregueira (EPC).



O jornal revela que as capas dos colchões dos guardas prisionais da cadeia da Carregueira não são lavadas há 12 anos e os cobertores dos reclusos há dois anos.



“Desde a inauguração da cadeia, em 2002, que os 180 guardas do EPC, Sintra, vivem com medo de apanhar alguma doença, dada a falta de higiene nas camas. Mas os cobertores, colchas e edredões dos 740 reclusos também não são lavados há cerca de dois anos e a roupa de trabalho há dois meses”, adianta o JN.



Confrontado com esta situação, Mário Durval disse à Lusa que “há uma série de situações que podem advir da falta de higiene de roupa que se utiliza nas camas”, como doenças infeciosas e pragas.



“É evidente que roupa de cama e outras roupas que estão em condições de prisão, com uma proximidade muito grande - nem sei se as próprias condições de ventilação são as melhores" -, podem acumular micro-organismos, poeiras, que podem implicar doenças infeciosas ou pragas, salientou.



O especialista defendeu que, neste tipo de estabelecimentos, em que há “uma utilização intensiva do espaço” por várias pessoas, o “mais importante” é fazer “uma higiene frequente desse tipo de roupas”.



“Espero que, pelo menos, mudem as roupas nos quartos em que os reclusos podem receber as companheiras”, comentou à Lusa.

Comentários