Lobo Antunes defende que se apurem os efeitos da crise na Saúde

O presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), João Lobo Antunes, considera condenável não apurar as consequências da crise na saúde e “colher as consequentes lições para o futuro”.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo (C), acompanhado pelo presidente do Instituto de Medicina Molecular, João Lobo Antunes (D), e o diretor geral do MSD, Leonardo Santarelli (E)

créditos: LUSA

“A avaliação das consequências da crise está por fazer, dada a sua complexidade e, naturalmente, a dificuldade de detetar efeitos que podemos chamar de retardados. Agora, seria condenável, até do ponto de vista ético, não apurar bem tudo isto e colher as consequentes lições para o futuro”, disse.

Em entrevista por escrito à agência Lusa, no âmbito do 25º aniversário do CNECV, que se comemora este ano e será assinalado na quinta-feira com uma conferência em Lisboa, o neurocirurgião acrescentou que, ao não se apurarem as consequências da crise, “perde-se a oportunidade de aproveitar o único 'benefício' possível do sofrimento de tantos: o aprender a prevenir ou a atenuar o que é nefasto para toda a sociedade”.

A propósito da efeméride do CNECV, o neurocirurgião reconheceu “a imprevisibilidade dos temas” que este trata e dos “desafios que enfrenta”.

“Em certa medida, nas últimas décadas a Ética andou sempre um passo atrás do progresso científico e tecnológico”, disse, citando “um dos mais paradigmáticos o que se passou com a clonagem e a tempestade filosófica e moral que originou”.

Hoje há certamente uma preocupação prospetiva e os próprios cientistas percebem a necessidade de uma aliança ética, e isso foi evidente no projeto do genoma humano, afirmou.

João Lobo Antunes considera que “a sociedade está muito mais desperta para estas questões. As ciências da vida têm um abraço muito amplo, da biologia molecular ao clima, e conhecem hoje uma explosão sem precedentes”.

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