Dois doentes morreram à espera de dispositivo para coração no Hospital Santa Cruz

Ordem dos Médicos admite levar caso aos tribunais. IGAS abriu inquérito ao caso
15 de julho de 2014 - 13h05




Dois doentes morreram enquanto esperavam por uma intervenção no Hospital Santa Cruz, alegadamente por falta de dispositivos médicos devida a “limitações administrativas”, denunciou hoje a Ordem dos Médicos, com base na denúncia de clínicos da unidade de saúde.



Na conferência de imprensa que a Ordem realizou para denunciar casos graves relacionados com os constrangimentos financeiros, o presidente do conselho regional do Sul deste organismo, Jaime Teixeira Mendes, admitiu levar o caso aos tribunais.



Os dois doentes terão morrido enquanto se encontravam em lista de espera para receber dispositivos médicos para tratar por via percutânea uma estenose aórtica de alto risco. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) vai abrir um procedimento de averiguações à morte de dois doentes por alegadamente não terem recebido a tempo um dispositivo para o coração.



Este organismo revelou hoje, durante uma conferência de imprensa, em Lisboa, que os dois doentes terão morrido enquanto se encontravam em lista de espera no Hospital de Santa Cruz para receber dispositivos médicos para tratar por via percutânea uma estenose aórtica de alto risco.



Ordem pondera avançar para os tribunal



Jaime Teixeira Mendes admitiu que a Ordem pode levar o caso aos tribunais, nomeadamente contra o conselho de administração da unidade hospitalar, que tem conhecimento da situação, e até o próprio ministro da Saúde, enquanto alegado responsável pelos constrangimentos financeiros que terão estado na base desta falta de material.



Além destas duas mortes, os médicos do Hospital de Santa Cruz que efetuaram a denúncia à Ordem garantem que a Unidade de Intervenção Cardiovascular “ficou sem capacidade de resposta desde o dia 04 de julho por falta de manutenção e material”.



“Trata-se da unidade de hemodinâmica que realiza angioplastia coronária há mais tempo em Portugal e, desde essa altura, ambas as salas ficaram incapazes de funcionar em condições de segurança para os doentes por avaria no equipamento de angiologia”, prossegue a denúncia.

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