Doença Celíaca é "subdiagnosticada" em Portugal, há quase 100 mil doentes "anónimos”

Portugal estão apenas diagnosticados 10 mil indivíduos com a doença
7 de maio de 2014 - 09h40



A Doença Celíaca, caracterizada pela "intolerância" ao glúten, afeta entre 1 e 3% da população portuguesa, mas existem "apenas" 10 mil casos referenciados, pelo que especialistas consideram que a patologia é subdiagnostiacada, existindo cerca de 100 mil celíacos "anónimos".



Em declarações à agência Lusa a propósito da 2ª reunião nacional da Doença Celíaca, a realizar sábado, em Braga, a organizadora do evento e médica, Henedina Antunes, explicou que "ainda não é fácil" o dia-a-dia de um celíaco principalmente porque "muitas vezes o é sem saber".



Com origens que remontam ao século II, com a introdução massiva de cereais (que contém glúten) na alimentação, a Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune, que afeta indivíduos com predisposição genética, causada pela permanente sensibilidade ao glúten que, ao ser ingerido, provoca lesões na mucosa do intestino e origina uma diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes.



"Em Portugal existe apenas um estudo sobre a DC. Foi feito aqui em Braga e apontou para uma prevalência da patologia em uma entre 134 pessoas. Ou seja, estima-se que entre 1 e 3% de portugueses sejam celíacos", explicou Henedina Antunes, também autora do referido estudo.



Apesar dos cálculos, em Portugal "apenas estão diagnosticados 10 mil indivíduos", sinal de que esta é uma doença "subdiagnosticada" ainda hoje.



"A verdade é que podem existir até cerca de 100 mil celíacos anónimos. Isto tem consequências na saúde destes indivíduos e afeta-os, seguramente, no bem-estar", alertou.



Por isso, a especialista defende que "aos primeiros sinais deve ser feito o rastreio", exame que, disse, "nem é muito dispendioso, mas pode traduzir-se numa melhoria enorme na qualidade de vida" dos doentes.



"Há mulheres a quem só é diagnosticada a DC quando querem engravidar e não conseguem. É um exemplo de como se pode chegar à idade adulta sem que seja apontado o problema embora, indiscutivelmente, tenha havido sinais de alarme ao longo da vida", contou.



Os sintomas da DC são "na forma típica, que afeta as crianças, diarreias crónicas, distensão abdominal, vómitos, atrasos no crescimento", na "forma atípica, em adultos, anemia, aftas, dores ósseas, caibras, alterações dermatológicas".

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