Descoberto mecanismo que altera coordenação motora por consumo de cannabis

Consumo crónico de cannabis causa diminuição dos recetores cerebrais
24 de junho de 2013 - 14h33



Um grupo de investigadores da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, descobriu o mecanismo cerebral que altera a coordenação motora devido ao consumo crónico de cannabis.



O estudo, publicado hoje na revista Journal of Clinical Investigation, demonstrou que a exposição crónica à principal substância psicoativa da cannabis, o delta9-tetrahidrocanabinol (THC), provoca uma inflamação no cerebelo, a área do cérebro que coordena os movimentos e é responsável pela aprendizagem motora.



Andrés Ozaita, um dos investigadores, disse à agência noticiosa espanhola EFE que já se sabia que o consumo crónico de cannabis causa uma diminuição de todos os recetores de cannabis, presentes em quase todas as partes do cérebro e que realizam diferentes funções.



A nova investigação conseguiu demonstrar que aquela diminuição dos recetores de cannabis provoca um “ambiente neuroinflamatório” no cerebelo, com a ativação da micróglia, um conjunto de células consideradas como o sistema imunitário do cérebro.



A micróglia, que normalmente está latente, é ativada perante o THC como quando há um dano cerebral, de modo que ocorre uma inflamação que impede o correto funcionamento do cerebelo, segundo a EFE.



O estudo foi realizado com ratinhos de laboratório, que após a exposição à cannabis manifestaram problemas “leves” de coordenação motora, disse Ozaita.



A investigação mostrou que os danos são reversíveis, ou seja, que se for interrompido o consumo de cannabis e se utilizarem medicamentos inibidores da micróglia os problemas de coordenação motora reduzem-se ou desaparecem.



Os cientistas consideram que aquele mecanismo cerebral pode ocorrer nos humanos, já que está demonstrado que o consumo crónico e elevado de cannabis provoca problemas de coordenação fina e uma diminuição do número de recetores de cannabis. Resta demonstrar que a micróglia também é ativada.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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