Cuidadores de doentes dependentes sofrem de depressão

Os cuidadores de pessoas dependentes em Portugal sofrem de depressão, são na maioria mulheres (92%), têm uma média de idade de 62 anos, muito baixa escolaridade e não recebem apoio formal do Estado português, concluiu um estudo.
créditos: ANDRE KOSTERS/LUSA

Nem todos os doentes têm acesso a cuidados de enfermagem em casa (FOTO DE ARQUIVO)

As principais características dos cuidadores de pessoas dependentes, sejam doentes mentais ou com doença física, é que não têm absolutamente nenhuma formação para cuidar desses doentes no domicílio, são mulheres (principalmente filhas ou noras do doente), têm, em média, 62 anos, são domésticas (maioria) ou abandonaram a sua profissão (32%), têm “muito baixa escolaridade” e podem sentir-se tristes até deixarem de comer.

O estudo “Familiares Cuidadores de Pessoas Dependentes”, cujo responsável é Carlos Sequeira, professor na Escola Superior de Enfermagem do Porto e presidente da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, conclui também que o “Estado dá muito poucas ajudas” aos cuidadores e que mais de 70% dos cuidadores sofrem de uma “sobrecarga de trabalho”, que abrange tanto trabalho físico, como trabalho emocional.

Para fazer face à inexistência de formação junto dos cuidadores de pessoas dependentes em Portugal, Carlos Sequeira anunciou à Lusa que em março vai iniciar-se a aplicação de um programa piloto que vai comparar os resultados entre 100 cuidadores que vão receber formação e outros cuidadores que não vão ter qualquer formação.

A primeira fase do projeto foi a construção de um programa base de capacitação por peritos.

A segunda fase do projeto arranca em março próximo e vai ser aplicada a cuidadores afetos a instituições do norte, como por exemplo, o hospital de São João e Santo António, do Porto, o hospital de Matosinhos ou à Associação Alzheimer Portugal.

Formação

Os cuidadores vão aprender coisas tão simples como saber de que lado se deve alimentar um doente que sofreu um AVC, que exercícios deve praticar para estimular a cognição de um doente que sofre de Alzheimer, aprender como mobilizar na cama para a casa de banho, ou saber qual a quantidade de ingestão de água por dia se deve dar a um acamado, revela o especialista.

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