Crise está a aumentar número de casos de alcoolismo

Dia Nacional dos Alcoólicos Anónimos comemora-se dia 19 de março
18 de março de 2014 - 08h50



A crise está a aumentar o número de casos de alcoolismo e a tornar os consumos mais perigosos, sobretudo nas bebidas destiladas e cerveja, alerta o presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia.



“Aquilo que verificámos em estudos e padrões de consumo é que tem havido um aumento progressivo do consumo de bebidas destiladas. Mesmo no caso dos jovens, são as bebidas mais consumidas”, explica o médico Augusto Pinto, em declarações à Lusa, na véspera do Dia Nacional dos Alcoólicos Anónimos.



De acordo com o presidente da Sociedade, a crise que se vive atualmente no país “pode efetivamente agravar os consumos” e ao mesmo tempo levar “a consumos mais perigosos”, acrescentando que a capacidade de desenvolver doenças “é mais grave nas bebidas destiladas”, comparando com a ingestão de vinho.



“Sendo ambas portadoras de álcool, a quantidade é maior nas destiladas, o que faz prever uma redução do tempo necessário para chegar à doença”, alerta Augusto Pinto, avançando que são necessários dez anos de consumo “elevado, habitual, regular e excessivo” para chegar à dependência, mas, caso as bebidas destiladas sejam consumidas regularmente, a dependência surge mais cedo.



“Eu diria que a crise pode efetivamente agravar os consumos e pode levar a consumos mais perigosos. As consequências orgânicas e a capacidade de desenvolver doenças é mais grave nas bebidas destiladas do que em alguém que consume vinho ou aguardente. Sendo ambas portadoras de álcool a quantidade é maior nas destiladas”, frisa o especialista.



Para o médico, a pessoa, normalmente, não se reconhece como doente pelo facto de “beber algumas vezes de forma excessiva e ficar embriagado”, situação que “entra dentro de uma normalidade aceite na sociedade”, explica.



De acordo com Augusto Pinto, o facto de alguém beber com regularidade cria uma situação designada no meio médico como tolerância, ou seja, a pessoa vai aguentando-se cada vez mais tempo sem ficar embriagada.



“Fica com a ideia de que aguenta cada vez mais a bebida e que isso é um aspeto positivo e não negativo. Ora quanto maior capacidade de consumo a pessoa tem (…) mais perto está de ser meu cliente, doente”, explicou.

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