Crianças até aos 3 anos consomem o dobro das proteínas que deviam

O consumo aconselhado de proteínas nesta faixa etária é de 0,8 a 1,2 gramas por quilo de peso
31 de outubro de 2013 - 10h18



As crianças portuguesas entre os 12 meses e os três anos consomem mais do dobro das proteínas recomendadas, sobretudo devido a um excesso de leite de vaca, segundo um estudo sobre a alimentação nos primeiros anos de vida.



De acordo com os dados do estudo “EPACI - Estudo do Padrão de Alimentação e de Crescimento na Infância”, que será apresentado sexta-feira em Lisboa, as crianças portuguesas registavam um consumo de energia superior às recomendações e um consumo de proteína mais do dobro do recomendado.



Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, explicou à agência Lusa que parte desse consumo excessivo de proteínas se deve ao leite, com os pais a terem tendência para sentirem que a criança fica protegida se consumir elevadas doses proteicas.



Também Carla Rêgo, pediatra e coordenadora do EPACI, indica que estão a ser dadas às crianças até aos três anos “volumes de leite de vaca francamente acima do recomendável”.



Segundo a especialista, a partir dos 12 meses já pode ser introduzido leite de vaca na alimentação das crianças, embora as recomendações vão para se continuar a dar leite de fórmula (em pó) durante mais tempo.



“As fórmulas infantis têm menor teor de proteína e têm a adição de alguns nutrientes que o leite de vaca não consegue fornecer”, disse, explicando que há atualmente um “recurso precoce ao leite de vaca”.



De acordo com Carla Rêgo, são suficientes, entre os 12 e os 36 meses, entre 300 a 500 mililitros de leite e derivados, ou seja, já incluindo iogurtes e queijo.



O consumo aconselhado de proteínas nesta faixa etária é de 0,8 a 1,2 gramas por quilo de peso.



Além do recurso precoce ao leite de vaca, a especialista aponta as quantidades excessivas consumidas por crianças pequenas que já estão inseridas na dieta familiar, comendo carne e peixe, por exemplo.



Para Carla Rêgo, o estudo demonstra que “o maior responsável pela oferta de proteína” a estas crianças é a proteína do leite de vaca.

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