Controlar pulsação ajuda a detetar arritmia que pode provocar AVC

Pulsações irregulares, muito rápidas ou demasiado lentas, dão pistas sobre possível arritmia
23 de abril de 2013 - 11h00



A simples medição do pulso cardíaco pode identificar uma arritmia cardíaca denominada fibrilhação auricular, que afeta um em cada 10 portugueses com mais de 70 anos e está na origem de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), alertou uma associação do setor.



A Associação de promoção da saúde cardíaca "Bate, Bate Coração", através do seu presidente, Carlos Morais, fez o alerta em vésperas de promover a assinatura da Carta de Direitos dos Doentes com Fibrilhação Auricular, que será apresentada em Portugal no Congresso da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, que decorre entre domingo e terça-feira, em Vilamoura.



O documento internacional pretende sensibilizar os governos e decisores da área da Saúde para a necessidade de prevenir a doença e os AVC, uma das principais consequências da fibrilhação auricular, arritmia causadora de coágulos no coração que depois podem entrar na corrente sanguínea e migrar até ao cérebro, com desfechos fatais ou muito incapacitantes.



“Um terço de todos os AVC deve-se a esta arritmia, a fibrilhação auricular. Sabemos que os AVC, as tromboses, são a principal causa de morte em Portugal, sabemos que 30 por cento são devido a esta arritmia e sabemos também que, neste momento, em Portugal, temos dois milhões de portugueses com mais de 65 anos e que a partir dos 70 anos a probabilidade de um português ter fibrilhação auricular é de um para 10”, frisou.



O dirigente da associação disse que, quando detetada a tempo, a doença pode ser tratada de forma a evitar a formação desses coágulos, com um fármaco anticoagulante, e que o “alerta para presença desta arritmia pode ser detetado com uma manobra muito simples, que é a simples avaliação do ritmo cardíaco”.



“Quando as pulsações são muito irregulares, muito rápidas ou demasiado lentas, está-se perante uma arritmia e uma provável fibrilhação auricular”, acrescentou, sublinhando que o “diagnóstico definitivo é feito com um eletrocardiograma”.



Carlos Morais disse que a divulgação nacional da Carta de Direitos dos Doentes com Fibrilhação Auricular vai ser feita no âmbito do Congresso da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a decorrer entre 28 e 30 de abril, em Vilamoura.



“A fibrilhação auricular é uma arritmia, ou seja, uma perturbação do ritmo cardíaco, é a arritmia crónica mais frequente, a que afeta mais portugueses e que afeta 2,5 por cento da população adulta”, contabilizou.



Carlos Morais referiu que é necessário fazer rastreios e diagnosticar a doença cedo, permitindo uma medicação atempada para evitar as consequências gravosas dos AVC e encargos mais gravosos e onerosos para as famílias e para o Estado.



“Isto tem implicações na necessidade de fazer um alerta, de se poder detetar e diagnosticar precocemente esta arritmia, porque há tratamentos que se podem fazer para evitar as suas complicações, nomeadamente o AVC. O tratamento é relativamente simples, administrando um medicamento anticoagulante que impede a formação dos tais coágulos”, defendeu.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários