Consumo excessivo de sal também provoca doenças autoimunes

Estudos realizados nos Estados Unidos acrescentam mais uma fator de risco para estas patologias
8 de março de 2013 – 12h18



Três estudos da edição desta semana da revista Nature dizem que há uma ligação entre as doenças como a artrite reumatoide ou a esclerose múltipla e o consumo excessivo de sal.



A ligação era totalmente inesperada. Nas últimas décadas, os casos de doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, a diabetes tipo 1 e a artrite reumatoide aumentaram, mas não se conheciam exatamente as razões por detrás disso. Três trabalhos científicos revelam agora que um dos motivos pode estar relacionado com o consumo de sal.



Alguns dos investigadores, das faculdades de medicina de Yale e Harvard e do Instituto Broad, nos Estados Unidos, aplicaram a ratinhos uma dieta com quantidades bastante elevadas de cloreto de sódio e observaram que o sal potenciou a produção de um tipo de células imunitárias, os linfócitos T, importantes no combate de agentes infeciosos; porém, quando ingerido em quantidades superiores às recomendadas podem entrar em conflito com o organismo e desencadear doenças autoimunes, já que as defesas do organismo deixam de reconhecer os próprios tecidos e atacam-nos.



“Atualmente, as dietas ocidentais têm altos níveis de sal e isso levou ao aumento da hipertensão e, possivelmente, também das doenças autoimunes”, refere David Hafler, um dos autores do estudo de Yale, citado num comunicado de imprensa.



Os fatores genéticos, só por si, não podem explicar o aumento dos casos de doenças autoimunes, consideram os cientistas, e por isso foram à procura de outros possíveis fatores, acabando por ir ao encontro desta relação entre sal e doenças autoimunes.



“Estes resultados são um contributo importante para a compreensão da esclerose múltipla e podem estabelecer novos alvos para tratar esta doença, para a qual ainda não há cura”, diz Ralf Linker, diretor do Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Erlangen, na Alemanha.



“Claro que não é só o sal”, refere Vijay Kuchroo, do Instituto Broad. “Temos uma arquitetura genética: genes ligados a várias formas de doenças autoimunes e que predispõem uma pessoa para estas doenças. Mas também suspeitamos que os fatores ambientais desempenhem um papel: infeções, tabaco, falta de luz solar e de vitamina D. O sal pode ser mais uma coisa na lista”, cita a agência France Presse.



SAPO Saúde


artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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