Colheita de órgãos vai passar a poder ser feita em doentes de coração parado

Medida aguardava há pelo menos três anos por parecer da Ordem dos Médicos
7 de novembro de 2013 - 12h06
Estava prevista desde 2010 a possibilidade de fazer a colheita de órgãos para transplante em dadores em paragem cardiocirculatória, mas só agora a medida vai avançar. A medida estava dependente de um parecer da Ordem dos Médicos. 
A ideia é aumentar o número de transplantes, nomeadamente de rins. Em comunicado, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação congratula-se com a aprovação da medida ontem publicada em Diário da República. 
À semelhança do que já acontece com a morte cerebral, o despacho define as regras de acordo com as quais pode ser declarada a paragem cardiocirculatória. 
Para que estes doentes se tornem dadores têm que estar reunidos vários critérios, como a ausência inequívoca de batimentos cardíacos, de traçado electrocardiográfico, a ausência de movimentos respiratórios espontâneos por período não inferior a 10 minutos, a realização, durante um período não inferior a 30 minutos, de manobras de suporte avançado de vida.
A medida pretende aumentar a "doação cadáver", particularmente de rim, já que, nos últimos anos, o número de dadores tem vindo a diminuir, lê-se na nota.
Na Europa, apenas alguns países têm legislação que permite este tipo de colheita. Em Espanha, que é considerado um caso de sucesso na área dos transplantes, os resultados de um programa deste tipo, nos últimos 10 anos, indicam que a doação em paragem cardiocirculatória representa 10% da doação em dador cadáver. 
Em Portugal, depois do pico de 31 dadores por milhão de habitantes e 928 transplantes realizados em 2009, os números têm vindo a descer.
SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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