Cirurgias em Portugal aumentaram cerca de 50% nos últimos seis anos

Hospitais públicos poderiam poupar 508,9 milhões se todas as unidades fossem eficicentes
16 de maio de 2013 - 14h12
As cirurgias em Portugal aumentaram nos últimos seis anos cerca de 50%, sobretudo em resultado do acréscimo “espetacular” da cirurgia ambulatória, revelou hoje, em Coimbra, o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa.
“Entre 2006 e 2012 a atividade cirúrgica nacional” registou um “aumento de 49,5%”, afirmou o governante, explicitando que “em 2006 foram operados 345.321 doentes” e no ano passado 516.166 doentes, número que também representa um acréscimo de 2,5% em relação a 2011.
“Mas o que é mais significativo é que grande parte deste aumento de atividade cirúrgica deveu-se ao grande aumento da capacidade da cirurgia de ambulatório”, que registou o acréscimo “espetacular de 219%, mais rigorosamente 218,6%”, naquele período, salientou Leal da Costa, que falava na sessão de abertura de uma reunião nacional de coordenadores de unidades de cirurgia ambulatória (UCA), que decorre hoje num hotel de Coimbra.
“O número de doentes submetidos a regime ambulatório tem aumentado todos os anos”, sublinhou Leal da Costa, à margem do encontro, em declarações aos jornalistas, referindo que em 2012 foram realizadas em Portugal mais de 250 mil cirurgias sem recurso a internamento dos doentes.
Mais vantagens do ambulatório
A cirurgia de ambulatório, além de ser “muito vantajosa para os doentes”, também o é no plano económico e permite que “sejam operados muitas mais” pessoas, sustentou Leal da Costa, sublinhando que este processo assegura “melhores condições de conforto e de segurança” do que “os métodos tradicionais, que exigem que o internamento”.
“Isto é possível devido aos avanços tecnológicos e científicos”, disse o secretário de Estado, considerando que “o Ministério da Saúde (e não só o deste Governo), tem acompanhado, desde há anos”, essa evolução e adotado “aquilo que é mais seguro e mais confortável para os doentes”.
Este processo “envolve acréscimo de tecnologia” e investimento, mas “é largamente compensado pelo número de procedimentos que são feitos” e que têm contribuído para a diminuição das listas de espera.
“Sem isto teríamos [em Portugal] uma lista de espera muito maior do que aquela que temos, que, apesar de tudo, está razoavelmente controlada”, sustentou Leal da Costa.
Um relatório hoje divulgado no site da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) considera que a maioria das instituições hospitalares “garante uma taxa aceitável [de cirurgia de ambulatório], denotando o esforço de reconversão dos serviços cirúrgicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".
Este "Relatório de Benchmarking" faz um estudo comparativo entre 31 unidades hospitalares do SNS, analisando o acesso, a qualidade, a produtividade e a dimensão económicas destas instituições, que divide em cinco grupos de avaliação distintos.
Neste documento, datado de 15 de maio, o Minitério da Saúde assume que os hospitais públicos poderiam poupar 508,9 milhões de euros por ano se todas as unidades tivessem o mesmo nível de eficiência das que são consideradas as cinco melhores dentro do seu grupo.
Este é o relatório final e divulgado no site da ACSS, mas o documento teve versões preliminares que foram sendo divulgadas pela comunicação social e que indicavam valores diferentes destes 508 milhões de euros.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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