Cientistas testam primeiro medicamento português contra o cancro

Em Portugal surgem todos os anos cerca de 3000 novos casos de cancro da cabeça e pescoço
4 de junho de 2014 - 07h21



A empresa de Coimbra Luzitin iniciou há cerca de uma semana, no Porto, os ensaios clínicos exploratórios ao "primeiro medicamento oncológico português" a atingir esta fase, com o objetivo de que este seja uma alternativa à quimioterapia e à cirurgia.



Sérgio Simões, presidente da Luzitin, disse à agência Lusa que o medicamento, que é o primeiro em Portugal a atingir a fase de ensaios clínicos, poderá chegar ao mercado "em quatro anos".



O medicamento, segundo o responsável, é "teoricamente aplicável a todos os tumores", tendo como uma das vantagens "apresentar bastante menos efeitos secundários que outras terapêuticas, como é o caso da quimioterapia".



O ensaio exploratório, em que estarão envolvidos 20 doentes, pretende avaliar "a segurança, tolerabilidade e eficácia" do medicamento para "tumores avançados de pescoço e cabeça", sendo possível no futuro alargar o tratamento "a outros, como o cancro gástrico, do pulmão ou do colo do útero", informou Sérgio Simões.



A terapia fotodinâmica desenvolvida pela empresa de Coimbra consiste na "administração injetável de um fármaco. Espera-se 15 minutos e depois faz-se incidir um feixe de luz que incide apenas no local do tumor. Com a luz, o medicamento é ativado e mata as células tumorais, poupando-se todos os outros órgãos", explicou.



A seletividade da radiação "confere mais segurança que a quimioterapia e mantém uma eficácia interessante, facilidade de uso e um custo de efetividade razoável para que possa chegar a todos os doentes", salientou o presidente da Luzitin.



Sérgio Simões disse à agência Lusa que este medicamento é uma forma de mostrar "que em Portugal é possível a transferência da excelência da ciência produzida nas universidades para a clínica".



Tudo começou em Coimbra



O desenvolvimento do medicamento começou com a descoberta das moléculas num projeto de investigação na Universidade de Coimbra (UC), que "durou quase cinco anos", contou.

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