Chuva e descida de temperatura pode ter travado evolução do surto de legionella

O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera disse que a mudança das condições meteorológicas dos últimos dias, com chuva e descida das temperaturas, "provavelmente alterou" o desenvolvimento do surto de legionella, que prefere temperaturas tépidas.
créditos: AFP PHOTO / PHILIPPE HUGUEN

"A alteração das condições meteorológicas que se têm verificado nos últimos dias provavelmente alterou significativamente as condições de desenvolvimento e transporte [da bactéria legionella]", referiu à agência Lusa Jorge Miranda, apontando "a chuva e o abaixamento de temperatura".

Entre os fatores que favorecem o desenvolvimento da bactéria legionella está a temperatura da água entre 20°C e 45°C, sendo a ótima entre os 35ºC e 45ºC, conforme refere um documento da Comissão Setorial para a Água.

O surto de legionella já causou 235 doentes e cinco mortos, estimando-se que todos têm relação com a região de Vila Franca de Xira.

O IPMA é uma das entidades que faz parte do grupo de trabalho que está a acompanhar as ações relacionadas o surto de legionella, bactéria que provoca pneumonias graves e pode sermortal, e tem fornecido informação sobre as condições meteorológicas registadas desde o início de outubro, nomeadamente naquela região.

A tarefa do IPMA, desenvolvida em coordenação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), é "fornecer estimativas da velocidade do vento em superfície e em altitude, para as regiões que têm sido potencialmente estudadas pelo grupo de trabalho de forma a ser possível identificar indirectamente qual a possível fonte da emissão das partículas que contêm legionella", esclareceu o presidente do Instituto.

"Temos fornecido informação relacionada com as condições meteorológicas, com a temperatura, fator também relacionado com a multiplicação das batérias em meio aquoso", acrescentou Jorge Miranda.

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