Bloco operatório do Hospital de Santarém terá "intervenção profunda" em 2015

Problemas com o sistema de ventilação do espaço tem obrigado ao cancelamento de cirurgias
4 de setembro de 2014 - 11h01



O bloco operatório do Hospital de Santarém vai ser alvo de uma “intervenção muito profunda” que obrigará ao seu encerramento total durante 120 dias, previsivelmente nos primeiros meses de 2015, disse hoje à agência Lusa fonte oficial.



Em resposta às questões colocadas pela Lusa na sequência da denúncia de autarcas, utentes e profissionais de saúde sobre o funcionamento deficiente deste serviço, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) admite “algum condicionamento” do Bloco Operatório Central (BOC) do Hospital de Santarém no mês de agosto “por razões climatéricas”.



Várias fontes disseram à Lusa que o deficiente funcionamento do sistema de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado (AVAC), que data da construção do hospital, em 1985, gera condições ou de excesso de secura (com risco de incêndio) ou de humidade (com risco de acidentes elétricos e infeções), o que tem obrigado ao adiamento ou transferência de cirurgias, situação que se vem sentindo desde o inverno de 2013 e que se agravou em agosto.



A ARS-LVT assegura que os adiamentos verificados “foram por alguns dias” e “estão já resolvidos, ou em resolução no caso da ortopedia, com a utilização de tempos operatórios cedidos pelo Centro Hospitalar do Médio Tejo”.



“Apenas há a registar a transferência de um doente, com um quadro clínico muito urgente, e que podia ter ocorrido em quaisquer outras circunstâncias”, afirma.



A ARS-LVT garante que até 31 de julho “não ocorreram adiamentos de cirurgias para além do normal” e que nos primeiros sete meses do ano até se realizaram mais 382 intervenções que em igual período de 2013, tendo havido uma redução do tempo de espera em 55 dias.



Contudo, admite, “existe efetivamente um problema técnico no BOC que está a ser gerido de acordo com as circunstâncias e que passará por uma intervenção muito profunda, que implicará o encerramento total durante cerca de 120 dias”.



Esse problema, adianta, “não constitui uma obstrução permanente ao funcionamento do BOC, ocorrendo apenas em condições muito adversas de excesso de humidade e baixas temperaturas, em simultâneo”.



A ARS-LVT afirma que está em curso “um projeto de intervenção de remodelação, requalificação e modernização dos Blocos Operatórios, numa dimensão estrutural que os garanta ao melhor nível, para os próximos 25 anos”, num investimento estimado em 2 milhões de euros que “tem financiamento assegurado”.



“A dificuldade e a complexidade da intervenção, a exigir o máximo de ponderação e rigor, resultam da natureza das instalações, da sua localização no interior do Hospital e do risco de perturbação de outros serviços, na medida em que se trata da demolição e reconstrução de infraestruturas, e ainda da garantia de execução no tempo previamente estabelecido e sem qualquer desvio orçamental”.



Segundo a ARS-LVT, “para que o BOC possa ser encerrado durante 120 dias já existe um plano de contingência com a criação de condições temporárias que garantam internamente o máximo de capacidade instalada alternativa, possível”, permitindo a utilização do Bloco de Cirurgia de Ambulatório, as salas operatórias do Serviço de Urgência, do Bloco de Partos e do Ambulatório Cirúrgico.



“Complementarmente, para a atividade que não puder ser assegurada no Hospital, será encontrado, junto dos Hospitais da Região, o apoio que for julgado necessário para responder às necessidades, esperando-se que corresponda a menos de 10% da atividade operatória”, acrescenta.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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