Autoridades da Saúde asseguram capacidade de resposta em caso de surto de gripe

OMS alertou que mundo continua sem estar preparado para lidar com surto de gripe de grande escala
22 de maio de 2013 - 11h23



Portugal e os restantes países considerados desenvolvidos estão preparados para minimizar os efeitos de um surto de gripe em larga escala, garantiu hoje à agência Lusa a diretora-geral adjunta de saúde, Graça Freitas.



“Portugal começou a preparar-se a sério pela primeira vez em 1997, quando apareceu a chamada gripe das aves de Hong Kong, provocada pelo vírus de aviário H5N1, que era altamente patogénico”, disse à agência Lusa a responsável da Direção Geral de Saúde (DGS).



A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou na terça-feira que o mundo continua sem estar preparado para lidar com um surto de gripe de larga escala, havendo receios de que o vírus H7N9 na China se possa espalhar.



O diretor-geral assistente da OMS Keiji Fukuda, citado pela agência France Presse, disse numa reunião que apesar dos esforços empreendidos desde a gripe aviária H1N1 há três anos, é necessário mais planeamento de contingência.



“O mundo é muito grande, quando a OMS faz uma informação dessas fala para o mundo”, disse Graça Freitas, referindo que não há muitos países com capacidade de resposta, à escala global, tendo em conta o panorama no continente africano, em muitos países da Ásia e da América do Sul.



Portugal, recordou, começou a desenvolver mecanismos para se preparar para uma situação de possível epidemia/pandemia, “fosse de que vírus fosse”, a partir de 1997.



“Entretanto, essa preparação foi-se reforçando. O vírus H5N1 reapareceu mais tarde e voltámos a fazer planos de contingência nessa altura, com grande capacidade de resposta”, acentuou.



Plano de contingência é de 2009



De acordo com a especialista, o plano de contingência acabou por ser posto em prática quando surgiu, em 2009, a chamada Gripe A (H1N1).



“Foi uma pandemia, mas com uma expressão pouco grave felizmente e houve nessa altura oportunidade para testar os planos de contingência que tínhamos, a nossa capacidade de reação, a capacidade de resposta dos serviços, de detetar os casos e de os tratar”, especificou.



Segundo Graça Freitas, todos os mecanismos previstos no plano de contingência foram aplicados na altura.



“A partir daí, temos continuado a desenvolver – nós e todos os países – formas de vigilância epidemiológica, ou seja, capacidade de detetar casos precocemente e mecanismos para minimizar o impacto de uma nova pandemia quando ela surgir”, declarou.



Graça Freitas admite, porém, que, como em todos os fenómenos de grande dimensão, apareçam casos mais graves se houver uma pandemia.



“Mas os países, pelo menos os ditos desenvolvidos, têm mecanismos que lhes permitem moderar, minimizar o impacto de uma pandemia e ter essa capacidade de detetar e reagir atempadamente”, frisou.



Para o efeito, é preciso ter reforçados os mecanismos de controlo de infeção nos serviços de saúde.



A própria população, indicou, adotou hábitos de higiene respiratória e das mãos (com a Gripe A) que ajudam a melhorar a capacidade de reagir às infeções e à transmissão.



Graça Freitas assegurou ainda que, neste momento, o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge tem capacidade para fazer os testes necessários.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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