Aumentam casos de automutilação em jovens, especialista defende atenção aos sinais

Antebraços, coxas e abdómen são os locais em que os jovens e adolescentes mais se cortam
23 de maio de 2014 - 09h22



O pedopsiquiatra Fernando Santos alertou hoje para o aumento de casos de automutilação e alertou para a necessidade de os profissionais estejam atentos aos seus sinais, mesmo quando não forem a principal razão da consulta.



O tema da automutilação vai ser abordado sábado nas conferências do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIn) sobre “Adolescência e Transição para a Vida Adulta”, na qual participa Fernando Santos.



Este psiquiatra da infância e da adolescência considera que têm aumentado as queixas e consultas por causa desta prática que pode pôr em risco a vida, nomeadamente pela forma como a lesão é feita.



Os antebraços, as coxas e o abdómen são os locais em que os jovens e adolescentes mais se cortam, por serem “sítios que, embora se fácil acesso, se podem esconder e tapar”.



O especialista sublinhou que estes sítios criam características que podem funcionar como sinais indicadores, tais como a roupa que tapa o corpo, mesmo no verão, e a recusa em ir à praia.



Segundo Fernando Santos, a automutilação é “um ato solitário, embora estejam descritas situações potenciadas por grupos”.



De uma maneira geral, adiantou, o recurso à automutilação visa lidar com situações que os jovens atravessam: ansiedades, frustrações, grandes instabilidades.



“A pessoa corta-se para canalizar o pensamento para a dor física, pois nessa altura o desconforto emocional desaparece”, disse.



O pedopsiquiatra sublinha que quem se auto mutila tem “determinadas características em termos emocionais”, sendo habitualmente pessoas com tendência para o isolamento”.



Sobre as razões para o aumento de jovens que recorrem a esta prática, o especialista disse não ser possível associar, para já, à crise, pelo menos de uma forma direta.



“Indiretamente, há mais instabilidade a nível familiar, existe mais instabilidade na sociedade. Mas a pessoa precisa de ter determinadas características para ter esse comportamento, independentemente desse estímulo que possa haver na sociedade”.



O especialista defende uma especial atenção para os quadros de automutilação, mesmo que esta não seja a principal razão da consulta.



“Devemos incluir uma pesquisa dessa situação para saber se há alguma coisa que indicie esta prática”, disse.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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