Ataques de nervos aumentam risco de enfarte nas horas seguintes

Risco de enfarte do miocárdio ou síndrome coronária aguda aumenta 4,7%
5 de março de 2014 - 11h01



Pessoas que têm ataques de nervos correm mais riscos, nas duas horas seguintes, sofrerem um enfarte ou derrame cerebral, aponta um estudo de cientistas europeus publicado na terça-feira. A investigação é a primeiro a confirmar, com base em estatísticas, a relação entre emoções fortes e risco cardíaco, embora as causas biológicas exatas ainda não sejam totalmente conhecidas.



Nas duas horas seguintes a um ataque de fúria ou raiva, o risco de enfarte do miocárdio ou síndrome coronária aguda aumenta 4,7% em comparação com um momento de calma, aponta o estudo.



Já o risco de derrame cerebral aumenta 3,6%, assim como existe um risco acrescido de arritmia. Em pessoas com problemas cardiovasculares, o risco é ainda maior.



"Apesar de o risco de sofrer um problema cardiovascular agudo seja relativamente baixo com apenas um ataque de raiva, esse risco aumenta entre pessoas que têm ataques frequentes", explicou Elizabeth Mostofsky, da Harvard School of Public Health de Massachusetts, nos Estados Unidos, citada pela AFP.



"Isso é particularmente certo para os que possuem mais fatores de risco ou para os que tenham sofrido ataques cardíacos, derrames ou tenham diabetes", acrescentou.



Segundo as estatísticas, num grupo de 10 mil pessoas com baixo risco cardiovascular que se aborrecem apenas uma vez por mês, registr-se um ataque cardíaco a mais do que a média. Este aumento pode ser de até quatro casos em cada 10 mil pessoas em indivíduos com alto risco cardiovascular.



Súmula de estudos



O estudo, publicado pelo European Heart Journal, reúne as conclusões de nove estudos anteriores. A pesquisa analisou mais de 5 mil casos de ataque cardíaco e pelo menos 800 de derrame.



Até hoje, os estudos sobre este tema baseavam-se em grupos pequenos e os resultados eram pouco confiáveis, segundo os cientistas.



A nova análise não revela, no entanto, as causas biológicas da relação entre a raiva e os ataques cardíacos.



Os autores citam estudos anteriores, que mostram que o stresse emocional aumenta a frequência cardíaca e a pressão sanguínea, e que estas alterações podem provocar trombose e estimular uma resposta inflamatória do sistema imunitário.



SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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