Assumir infeção por HIV ajuda a "vencer estigma e discriminação"

Palestra de Mary Fisher foi iniciativa da Cáritas de Coimbra e da Embaixada dos Estados Unidos
19 de junho de 2013 - 15h09



A ativista norte-americana Mary Fisher exortou hoje as pessoas infetadas com o vírus da Sida a assumirem publicamente a doença, como contributo para "vencer o estigma e a discriminação" na comunidade.



"Não posso dizer às pessoas que façam isso de ânimo leve", disse a ativista nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), unidade atualmente integrada no Centro Hospitalar e Universitário (CHUC) da cidade.



Mary Fisher realçou a importância "de encorajar as pessoas a assumirem a doença publicamente e de a comunidade apoiar essas pessoas", especialmente as mulheres, num trabalho social em que as autarquias podem desempenhar um papel relevante.



"Às vezes, perguntamo-nos o que é certo fazer", face ao risco de perder amigos e mesmo o emprego, disse, admitindo que, há mais de 20 anos, quando contraiu o vírus HIV na sequência de um segundo casamento, teve "medos e noites de insónia".



Posteriormente, perante a família e os amigos, mas também enquanto figura pública dos Estados Unidos, assumiu que padecia de Sida.



"Quero ensinar os meus filhos a lutar por aquilo em que se acredita", disse.



Ter Sida e persistir, deste modo, na luta contra a expansão da doença "é uma situação muito dura" que Mary Fisher, artista, escritora e palestrante, de 65 anos, enfrenta há duas décadas, viajando pelo mundo e defendendo "atitudes responsáveis e não discriminatórias" devido ao vírus HIV.



"Se me fecham uma porta, eu entro pela janela", enfatizou, perante uma plateia constituída por profissionais de saúde e da área social.



Ao congratular-se "por não ter perdido o emprego" quando tornou público, nos Estados Unidos, que tinha contraído o vírus da sida, Mary Fisher alertou para a importância de estes doentes, a começar pelas mulheres serem capazes de explicar aos filhos, tal como ela, a sua própria situação, com vantagens ao nível da prevenção.



"As mães devem prevenir e evitar a transmissão aos filhos", sublinhou.



Mary Fisher disse ainda que este vírus "não escolhe raças, orientações sexuais ou classes sociais", numa sessão em que também intervieram Manuela Lopes, da Cáritas Diocesana, e o catedrático de Medicina Saraiva da Cunha, diretor do Serviço de Doenças Infecciosas dos HUC, em representação do presidente do CHUC, José Martins Nunes.



A palestra de Mary Fisher, em Coimbra, foi uma iniciativa da Cáritas de Coimbra e da Embaixada dos Estados Unidos da América.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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