Associação denuncia desigualdade no acesso a contracetivos

Há vários centros de saúde no país sem medicamentos para distribuir
27 de maio de 2014- 08h21



A Associação Para o Planeamento da Família denunciou nesta segunda-feira que a acessibilidade aos métodos contraceptivos "não está a ser igual" em todo o país e que, nalguns centros de saúdes, falta mesmo material.



"Existem atrasos na compra" dos métodos contraceptivos na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, enquanto a ARS do Algarve "não tem métodos contraceptivos nos seus armazéns desde Fevereiro", lamentou o director-executivo da APF, Duarte Vilar. "Há alguns centros de saúde que durante meses não recebem contraceptivos", afirmou.



Duarte Vilar deu o exemplo da zona da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, designadamente nos centros de saúde de Loures e Odivelas, onde "há listas de espera para a colocação de implantes". Também a ARS do Centro "não disponibiliza todos os métodos contraceptivos do catálogo do planeamento familiar", o que "compromete o princípio de igualdade dos cidadãos, que deveriam ter acesso à contracepção mais adequada às suas necessidades", refere uma nota da Associação Para o Planeamento da Família.



"Iremos contactar as entidades em causa para tentar saber o que se passa", disse Duarte Vilar, alertando que esta situação tem também riscos para a saúde das mulheres, já que "pode provocar um aumento de gravidezes não desejadas".



Nos últimos dois anos, segundo o dirigente da APF, "tem aumentado a procura das consultas de planeamento familiar", que permitem a obtenção gratuita de diferentes métodos contraceptivos. "É uma forma de se prevenir a automedicação" por parte de utentes, incluindo aqueles que "antes adquiriam os fármacos sem passar pelos serviços de saúde", salientou o mesmo responsável.



Na nota, a APPF realça que a distribuição gratuita de contraceptivos em todas as unidades de saúde públicas "é uma conquista muito positiva" do Serviço Nacional de Saúde em Portugal. "No entanto, a acessibilidade aos métodos contraceptivos não é igual em todo o país, quer pela quantidade disponibilizada aos utentes, quer pelo tipo de contracepção disponibilizado", adianta a associação.



A agência Lusa quis obter a posição do Ministério da Saúde, através da Direcção-Geral de Saúde, mas até ao momento ainda não foi possível.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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