Arqueólogos descobrem esqueleto mais antigo de pessoa com cancro

Análises revelaram que o homem sofria de um cancro com metástases
18 de março de 2014 - 11h31



Arqueólogos britânicos encontraram no Sudão o esqueleto de um homem com 3.200 anos que teria sofrido de um cancro metastático. A descoberta coloca em causa a ideia de que as doenças oncológicas são doenças da Era moderna, lê-se no estudo publicado na segunda-feira na revista PLOS One.



A universidade inglesa de Durham, responsável pela expedição em parceria com o Museu Britânico, explicou que o homem teria entre 25 e 35 anos no momento da sua morte e que seu túmulo foi encontrado em Amara Ocidental, no norte do Sudão, a 750 km de Cartum.



O esqueleto foi encontrado em 2013 por uma estudante da universidade e data do ano 1.200 a.C.



As análises feitas aos restos revelaram que o homem sofria de um cancro com metástases, mas não permitiram determinar se essa foi a causa da morte.



Este é o esqueleto mais completo e mais antigo já descoberto de um ser humano com cancro, segundo os pesquisadores da Universidade de Durban e do Museu Britânico.



Apesar das doenças oncológicas serem atualmente uma das principais causas de mortalidade, é extremamente raro encontrar traços da doença em descobertas arqueológicas, o que faz pensar que o problema "está associado principalmente a um estilo de vida contemporâneo e ao aumento da esperança de vida", explicam os pesquisadores.



A análise do esqueleto mostra "que a forma das pequenas lesões nos ossos foram causadas, com absoluta certeza, por um cancro nos tecidos moles, mesmo que seja impossível determinar a origem exata da doença apenas com os ossos", explicou Michaela Binder, arqueóloga que descobriu os restos mortais, escreve a agência France Presse.



"Este esqueleto pode ajudar-nos a compreender a história quase desconhecida do cancro. Tínhamos pouquíssimos exemplares do primeiro milénio antes Cristo", indicou a investigadora austríaca.



Exames radiográficos permitiram observar lesões nos ossos, com metástases nas clavículas, omoplata, vértebras, braços, costelas, ossos da coxa e pélvis.



SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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