Aplicações de engate estão a aumentar proliferação do VIH entre jovens

A crescente utilização de aplicações de engate é já considerada uma das principais responsáveis pela nova epidemia do vírus da Sida entre jovens homens homossexuais, revela um estudo da UNICEF.

A investigação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) foi desenvolvida na região do Ásia-Pacífico, que inclui países como a Austrália, China, Japão, Indonésia e Tailândia.

A conclusão é que a região – que concentra metade dos 1,2 mil milhões de adolescentes de todo o mundo – enfrenta uma epidemia oculta do Vírus da Imunodeficiência Humana Adquirida (VIH) entre jovens dos 15 aos 19 anos.

Estima-se que haja só nessa faixa etária mais 50 mil novos casos em 2014, o que representa um acréscimo de 15% das infeções registadas na região relativamente ao ano anterior.

Só nas Filipinas, os registos absolutos anuais duplicaram, relata a estação de televisão britânica BBC.

Sexo ocasional como nunca

O referido estudo conclui que as aplicações de engate para smartphone aumentam as opções de sexo ocasional numa escala sem precedentes, contribuindo para a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis.

"A explosão de aplicações de engate aumentou as opções de sexo espontâneo ocasional. Os utilizadores das aplicações móveis podem localizar-se e marcar um encontro sexual imediato depois de apenas alguns toques no ecrã", lê-se no relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Embora o número de casos de VIH positivo esteja a decair no quadro global, estão a aumentar em segmentos específicos da população: jovens homens gays, homens que se relacionam sexualmente com homens, jovens que fazem sexo por dinheiro, jovens consumidores de drogas injetáveis e jovens transgénero, indica o documento.

A epidemia avança mais rápido sobretudo em grandes cidades, como Banguecoque (Tailândia), Jacarta (Indonésia) e Hanói (Vietname), alerta ainda a investigação.

De acordo com a UNICEF, essa tendência coincide com o aumento dos comportamentos de risco, como o envolvimento sexual com múltiplos parceiros e o uso irregular de preservativo.

O próprio estudo deste organismo das Nações Unidas sugere a promoção da educação sexual também a partir deste tipo de aplicações, sugerindo ações de sensibilização não só a partir do Tinder, mas também de outras aplicações semelhantes como Grindr, Scruff, Jack’d e Blued, só para citar alguns.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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