Aparelho do tamanho de um telemóvel permite diagnosticar malária em 15 minutos

Aparelho resulta de um projeto de investigação financiado em 5,2 milhões de euros pela UE
24 de abril de 2013 - 16h30
 Um aparelho móvel com nanotecnologia de ponta poderá fazer o diagnóstico da malária numa gota de sangue e em 15 minutos, revelando ainda as resistências do parasita aos medicamentos, anunciou hoje a Comissão Europeia (CE).
O novo meio de diagnóstico, do tamanho de um telemóvel, vai ser testado no fim do ano e, caso os resultados sejam positivos, poderá começar a ser ser utilizado no terreno, em países em desenvolvimento, a partir de 2015, acrescenta a CE, num comunicado divulgado hoje, véspera do Dia Mundial da Malária.
O aparelho resulta de um projeto de investigação financiado em 5,2 milhões de euros pela União Europeia, intitulado Nanomal e que é liderado pela universidade de St George, em Londres, reunindo ainda o Grupo QuantuMDx - especialista em meios de diagnóstico portáteis e de sequenciação do ADN -, e equipas da Universidade de Tübingen na Alemanha e do Karolinska Institute na Suécia.
"O protótipo visa proporcionar uma qualidade de resultados idêntica à de um laboratório, a uma fração do tempo e dos custos, tornando-o ideal para utilização no terreno", escreve a CE no comunicado.
No site do projeto pode ler-se que o dispositivo poderá revolucionar a forma como é diagnosticada e tratada uma doença que mata mais de 600 mil pessoas por ano.
Tendo em conta que o parasita que provoca a malária - transmitido pela picada de mosquitos - tem vindo a revelar cada vez mais resistências aos medicamentos, os investigadores procuram formas de evitar que os fármacos se tornem ineficientes.
Com o aparelho do projeto Nanomal, que permite detetar as resistências do parasita aos medicamentos, os profissionais de saúde a trabalhar em zonas remotas de países em desenvolvimento podem mais rapidamente fornecer tratamentos eficazes para contrariar essas resistências, o que tem o potencial de salvar vidas, dizem as instituições responsáveis.
Atualmente, as amostras de sangue para diagnóstico da malária são enviadas para laboratórios centrais de referência para análise, o que requer tempo, bem como testes caros e pessoal especializado.
Muitas vezes, lê-se no site do projeto, os medicamentos são prescritos antes do diagnóstico e podem não ser eficazes.
"Tratar eficazmente e imediatamente permitirá prevenir o agravamento da doença e salvar vidas", acrescentam as instituições.
A Organização Mundial de Saúde estima que em 2010 tenha havido a nível mundial 219 milhões de casos de malária, tendo a doença causado cerca de 660.000 mortes, sobretudo de crianças com menos de cinco anos de idade.
Desde 2002, a UE investiu mais de 209 milhões de euros em 87 projetos de investigação sobre a doença e, no âmbito da sua parceria com os países da África subsariana (iniciativa EDCTP), está a apoiar, com cerca de 50 milhões de euros, 32 ensaios clínicos sobre novos tratamentos.
Citada no comunicado da CE, a comissária europeia responsável pela Investigação, Inovação e Ciência, Máire Geoghegan-Quinn, declarou: "Metade da população mundial está em risco de contrair a malária. É essencial um diagnóstico rápido e preciso para combater a doença, tal como novas vacinas, medicamentos e métodos de controlo da sua propagação. Foi por essa razão que, desde 2002, a UE investiu mais de 209 milhões de euros na investigação sobre a malária".
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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