Administradores hospitalares lamentam polémica de recusa de medicamentos

Ordem dos Médicos terá pedido esclarecimento ao Ministério da Saúde sobre recusa de medicamentos
5 de agosto de 2013 - 13h40



A presidente da Associação dos Administradores Hospitalares lamentou hoje a contestação à alegada recusa aos doentes de medicamentos pelos Institutos Portugueses de Oncologia, considerando que a decisão não teve por base apenas a questão economicista.



O Diário de Notícias adianta, na sua edição de hoje, que a Ordem dos Médicos terá pedido explicações ao Ministério da Saúde sobre uma alegada recusa dos três Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) – Lisboa, Porto e Coimbra – em fornecer medicamentos inovadores a doentes com cancro.



De acordo com o jornal, o veto atinge alguns fármacos, considerados demasiado caros e que alegadamente levantam dúvidas quanto à eficácia.



Em declarações à agência Lusa, a presidente da Associação dos Administradores Hospitalares, Marta Temido, disse acreditar que na origem da recusa não estará só o valor do medicamento, apesar de não conhecer os casos em concreto.



“Diria - com grande probabilidade de não errar - que não é uma questão de valor do fármaco que está em causa, é uma questão, quando muito, de relação entre o seu valor e a sua eficácia, que poderá não estar completamente demonstrada”, disse.



No entender de Marta Temido, esta relação pode levar os hospitais a serem mais cautelosos.



“Os recursos não são ilimitados por muito que gostássemos que fossem [e isso] leva os hospitais a serem cautelosos naquilo que introduzem na sua prática clinica”, sublinhou.



A responsável explicou que as decisões dependem das administrações hospitalares, mas estas não as tomam sozinhas, são apoiadas em matéria de medicamento por uma comissão técnica que cada hospital (comissão de farmácia e terapêutica).



Segundo Marta Temido, os administradores hospitalares realizam a sua política do medicamento tendo por base os pareceres daquelas comissões.



“Na minha perspetiva subjacente a estas decisões está o direito de acesso à terapêutica inovadora, que é uma direito que assiste aos pacientes, mas também é verdade que os conselhos têm de fazer escolhas que têm de ser informadas pela melhor evidência possível”, disse.



A presidente da associação lembrou que os IPO funcionam desde há muitos anos de forma articulada, que é conseguida através de uma comissão coordenadora.



“Na notícia [referida pelo DN), a opção tomada pelos três IPO terá sito uma opção assente naquilo que é a melhor evidência possível e disponível”, frisou.



Marta Temido salientou ainda o “trabalho excelente” que o IPO tem feito em termos de tratamento dos doentes oncológicos.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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