Aberto inquérito a caso em que vítima de acidente em Chaves só teve vaga em hospital de Lisboa

O doente percorreu mais de 400 quilómetros de ambulância e fez o percurso final de helicóptero
4 de fevereiro de 2014 - 15h39



A Administração Regional de Saúde do Norte (ARSNorte) vai instaurar um inquérito para apurar as circunstâncias em que um jovem de Chaves, acidentado com um neurotrauma foi encaminhado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.



“Deliberou o Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Norte, IP, instaurar um inquérito tendente a apurar o contexto em que os factos divulgados efetivamente ocorreram e se dessem início a todas as diligências necessárias para garantir a sua instrução e celeridade”, refere o organismo em comunicado enviado hoje à agência Lusa.



Um jovem de 20 anos, que sofreu um neurotrauma num acidente de viação no sábado, em Chaves, foi internado no Hospital Santa Maria, em Lisboa, devido ao hospital da cidade transmontana não ter a especialidade e não haver vagas nas unidades hospitalares da região Norte.



O jovem saiu de Chaves cerca das 06:00, depois de três horas de espera, fez cerca de 400 quilómetros até Torres Novas de ambulância onde, depois do pedido médico e dado o agravamento do seu estado de saúde, seguiu até Lisboa de helicóptero, onde permanece internado em coma induzido.



O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), onde está integrado o Hospital de Chaves, assegurou à Lusa que contactou “todos” os hospitais do Norte para internar o doente numa unidade próxima, mas não houve essa disponibilidade.



O presidente da Câmara de Chaves revelou hoje que vai pedir explicações ao Ministério da Saúde, ARSNorte e CHTMAD.



“É absolutamente incompreensível que os nossos hospitais de referência a nível [da região] Norte não tenham condições para receber todos os doentes e todas as situação de emergência. Isto não tem compreensão”, afirmou.



A agência Lusa está também a tentar obter explicações por parte dos hospitais de Braga, Porto e Coimbra sobre a alegada falta de condições para receber o doente.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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