A recém-descoberta imunoterapia pode curar leucemia em 88% dos casos

Utilização do sistema imunitário para tratar doença foi considerado maior avanço de 2013
20 de fevereiro de 2014 - 10h19



Uma nova abordagem para tratar a leucemia, que consiste em usar o próprio sistema imunitário para matar as células cancerígenas, superou a doença em 88% dos adultos afetados e submetidos a este procedimento, segundo uma nova pesquisa publicada esta quarta-feira nos Estados Unidos.



O relatório traz novas e boas notícias para o florescente campo da imunoterapia contra o cancro, considerado pela revista Science como o maior avanço de 2013.



O último teste, publicado na revista Science Translational Medicine, foi feito com 16 pessoas com um tipo de cancro no sangue conhecido como leucemia linfoblástica aguda (LLA). Renier Brentjens, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, é o autor principal.



Mil e quatrocentas pessoas morrem de LLA nos Estados Unidos todos os anos e, embora seja um dos tipos de cancro mais tratáveis, os pacientes tornam-se frequentemente resistentes à quimioterapia e sofrem recidivas.



Neste estudo, entre 14 e 167 pacientes tiveram uma remissão completa, depois das suas células T terem sido modificadas para se concentrarem na erradicação da doença.



A idade média dos pacientes era de 50 anos e todos estavam perto da da morte quando ingressaram no teste. Sem este tratamento, só 30% dos pacientes que sofreram uma recidiva responderiam à quimioterapia, segundo estimativas dos pesquisadores.



Educar as células T



O processo supõe remover algumas das células T dos pacientes e alterá-las com um gel para que reconheçam uma proteína - conhecida como CD19 - nas células cancerígenas e atacá-las. As células T sozinhas conseguem atacar outros invasores nocivos ao corpo humano, mas permitiriam que o cancro crescesse de forma ininterrupta.



"Basicamente o que fazemos é reeducar as células T no laboratório, com terapia genética, para reconhecer e matar células com tumores", disse à AFP Brentjens, acrescentando que após 15 anos de trabalhos, esta tecnologia "parece realmente funcionar em pacientes com este tipo de cancro".

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