Treinar com frio: o que precisa de saber segundo um fisioterapeuta

O frio veio para ficar e nas próximas semanas as temperaturas vão manter-se baixas, mas normais para a época. Será que deve ficar debaixo da manta? Saiba como se deve preparar para treinar durante os meses de frio. Os conselhos são do fisioterapeuta Sérgio Loureiro Nuno.

Os nossos melhores amigos nestes próximos meses bem que podiam ser o sofá e a lareira (para manter a nossa temperatura corporal), mas o nosso corpo poderá não gostar muito a médio e longo prazo. Até porque, a nossa temperatura corporal está constantemente sujeita a processos fisiológicos que permitem que se mantenha nos parâmetros normais.

Esta homeostasia (termorregulação) diz respeito a um conjunto de mecanismos que têm como objetivo manter a temperatura corporal no valor estável de 37.º Celsius (com variações diárias). A nossa temperatura corporal apenas se mantém diariamente neste valor basal, porque há características fisiológicas que permitem que esta oscile entre parâmetros estáveis. Estes mecanismos dizem respeito tanto a mecanismos endógenos, como também a mecanismos exógenos, que permitem compensar estas variações, como usar mais ou menos roupa durante o dia.

Quanto aos mecanismos endógenos, o principal fator é a capacidade de nos apercebermos da alteração da temperatura. A integração deste fator consegue-se através do Sistema Nervoso Central e depois desencadeia uma atuação que pode ser voluntária (como bater os pés quando há sensação de frio, para produção de calor através da contração muscular) ou involuntária.

Apesar do mencionado, a prática desportiva em ambientes frios pode causar hipotermia, definida como temperatura corporal inferior a 35.ºC. Desta forma, é necessário estabelecer medidas preventivas para praticar desporto em condições de segurança. Cada pessoa, deve ter aconselhamento médico sobre a possível existência de patologias que comprometem a prática de exercício em condições térmicas adversas (como doenças cardíacas).

Cuidados básicos

Deve-se usar roupa adequada, como várias peças de roupa leve em vez de uma ou duas camisolas grossas. A acumulação de ar quente entre as várias camadas de roupa, permite um melhor isolamento térmico. Luvas e gorros, são outras opções viáveis e muito utilizadas em treinos por equipas de alta competições, apesar de a segunda opção não ser permitida em jogos oficiais.

Tão ou mais importante que o descrito é o aquecimento para a prática desportiva. Nesse período de tempo, há a preparação do corpo para o exercício, aumentando a temperatura corporal. A sua estrutura dependerá do tipo de atividade a realizar. O esforço físico intenso deve, então, ser precedido por uma fase de preparação, na qual se deve ativamente aquecer o corpo, pois este aquecimento irá melhorar a elasticidade dos tecidos do corpo.

Durante a realização de exercícios de aquecimento deve ser estimulada a ativação do Sistema Nervoso Central, de modo a aumentar a velocidade de transmissão dos impulsos nervosos e melhorar a coordenação do movimento e a performance desportiva.

Estas alterações que advêm de um período de aquecimento, preparam o corpo da pessoa para um exercício moderado ou de alta intensidade, diminuindo a resistência intra-muscular. Deste modo, verifica-se um aumento da amplitude de movimento, bem como da velocidade e força de contração muscular.

Num planeamento de treino correto, deve-se também considerar os processos de adaptação e recuperação. Tem-se verificado um maior risco de lesão em pessoas que treinam ocasionalmente e que não têm por hábito fazer aquecimento antes de iniciar a sua prática desportiva. Por outro lado, o exercício deve ser agradável e deve encaixar-se no estilo de vida de cada um.

Embora não seja possível evitar totalmente a ocorrência de lesões em desporto, são cada vez mais utilizadas estratégias no sentido de as reduzir e atenuar igualmente a sua gravidade e as consequências nefastas para os atletas e para o seu envolvimento desportivo e social.

Os conselhos são do fisioterapeuta Sérgio Loureiro Nuno, professor universitário e fisioterapeuta nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

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artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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