Gastronomia - Os portugueses “precisam de saber vender melhor o seu peixe”

Portugal conta com um território marinho 40 vezes superior ao terrestre e um consumo anual de pescado a rondar os 60 quilos per capita. Estes foram alguns dos números relativos à feição marítima nacional que centraram as atenções em mais uma conversa “Voxmar, o mar em escuta ativa”. O encontro, a 4 de junho, em Lisboa, centrou-se no tema a “Gastronomia: Os sabores do nosso mar são únicos?”. A conclusão: precisamos de saber vender melhor o nosso peixe.

No contexto de Portugal, com um território marinho 40 vezes superior ao terrestre, com uma cultura gastronómica mediterrânica e com um consumo anual de pescado superior a 60 quilogramas per capita, a conversa “Voxmar” centrou-se na valorização e qualidade dos produtos locais, na inovação, no turismo e no reconhecimento local e internacional da nossa gastronomia.

Rui Pregal da Cunha, co-fundador do restaurante de conservas Can the Can abordou maioritariamente a inovação e o turismo, já que o seu projeto agrega a tradição conserveira ao potencial gastronómico e de promoção cultural de Portugal, reforçando que é preciso assumir o mar como nosso.

“A ideia foi que o produto final de uma grande indústria portuguesa fosse o nosso ponto de partida. É aí que estamos a fazer qualquer coisa de inovador. O que fazemos é tornar os nossos produtos em verdadeiras estrelas, pela forma como são combinados.”

Por seu turno, o chefe Paulo Morais do restaurante Umai, preferiu salientar as escolhas sustentáveis e no “repescar” de espécies alternativas, menos conhecidas e percecionadas como menos “nobres” pela sociedade.

“Cabe-nos a nós, cozinheiros, dar a conhecer, às pessoas, coisas novas. Se não sairmos dos peixes habituais e não tentarmos trazer para o prato outras espécies que existem no nosso mar, não evoluímos e corremos o risco de esgotar alguns recursos naturais. Se diversificarmos o que pedimos aos fornecedores, aliviamos a pressão exagerada sobre algumas espécies”.

O diretor da revista Time Out, João Cepeda, reforçou a ideia que é preciso informar e levar muito a sério o negócio da restauração, não só pelo impacto que este tem na economia portuguesa, como pela necessidade de informação de um público cada vez mais exigente.

“Temos uma grande qualidade para oferecer a um preço muito moderado, o que não é coisa pequena, é gigantesco enquanto potencial turístico. Conseguimos servir peixe de grande qualidade em sítios de gama média/baixa, a um preço incomparável com o resto da Europa.”

A conclusão final desta conversa, foi que os portugueses “precisam de saber vender melhor o seu peixe”.

Após seis conversas sobre o mar português já participaram no encontro mais de dez mil pessoas, presencialmente mas também através de livestreaming, da visualização dos Sapo Videos e do Meo Kanal 201320.

A próxima conversa realizar-se-á, após o período de férias, no dia 17 de setembro e terá como tema “Gestão – Qual é o segredo dos negócios do Mar?”.

Foto de entrada: Paulo Morais (chefe no restaurante Umai) 

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