Futuro da cozinha nacional passa por consumo responsável e educação das crianças

O futuro da gastronomia portuguesa passa pelo consumo responsável, respeito pela sazonalidade dos produtos e valorização dos pequenos produtores, defende um manifesto apresentado hoje em Lisboa, que reclama que as crianças aprendam a cozinhar “comida saborosa e saudável”.
créditos: AFP/PHILIPPE DESMAZES

O “Manifesto para o Futuro da Cozinha Portuguesa” - ou “Manifesto 0.0” – foi hoje apresentado no final do terceiro simpósio para debater o tema “Cozinha Portuguesa – E Agora?”, no arranque da quinta edição do festival Sangue na Guelra, que juntou vários cozinheiros e especialistas em gastronomia.

“Temos orgulho no nosso país e na nossa tradição gastronómica e reconhecemos a riqueza da identidade da cozinha portuguesa. A nossa identidade gastronómica é a nossa origem, o que nos funda como cozinheiros(as), é o reflexo do nosso território mas também dos povos e culturas que a influenciam desde séculos até aos dias de hoje, contribuindo para a sua riqueza e diversidade”, lê-se no início do documento, que tem 11 pontos.

Os subscritores defendem o respeito pela sazonalidade dos produtos e os ciclos biodinâmicos da natureza, ao mesmo tempo que incentivam o consumo responsável e sustentável dos produtos e das espécies animais, da terra e do mar.

O manifesto reclama que todas as crianças têm “o direito de conhecerem a identidade da cozinha” portuguesa e de “aprenderem a cozinhar comida saborosa, saudável e de qualidade”, o que consideram ser “tão importante como aprender a ler e a escrever”. “Reconhecemos o valor dos pequenos produtores, os produtos autóctones e produzidos localmente, fomentando a sustentabilidade dos modos de produção e procurando recuperar produtos esquecidos e diferenciadores do nosso território”, dizem ainda.

Os ‘chefs’ devem ter “a liberdade para criar e explorar novos caminhos, novos pratos, novos sabores”, até porque, sublinham, “o ato de cozinhar não se esgota na procura do bom sabor; a cozinha é cerebral, interventiva, criativa, subversiva”. Mas, alertam, a criatividade não pode ser o objetivo final, “deve ser consciente e informada e exprimir um contributo novo para a nossa cozinha”.

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