Abandono escolar é menor mas continua a ser problema

Embora a percentagem tenha vindo a diminuir, Portugal continua a ser um dos países europeus com mais população sem ensino secundário. Veja os fatores a que deve estar atento.

Frequentemente, o abandono da escola é consequência de inúmeras experiências escolares e/ou sociais contraproducentes. É um fenómeno difícil de estudar, pois os mesmos fatores podem influenciar alunos diferentes de maneiras diferentes em tempos diferentes. Não devemos, no entanto, deduzir que o abandono escolar tem como causa exclusiva o insucesso. Contudo, é elucidativo do mesmo, é uma amostra bastante visível do desajustamentos do(s) aluno(s).

Embora a percentagem tenha vindo a diminuir, Portugal continua a ser um dos países europeus com mais população sem ensino secundário. De acordo com um relatório da Pordata, base de dados que compila dados nacionais, divulgado no fim de outubro de 2017, somos o segundo país da União Europeia a registar a maior taxa de abandono escolar precoce. Às regras escolares e à não progressão regular nos estudos.

O pico mais visível é nos adolescentes entre os 12 e 13 anos, com uma maior incidência nos rapazes e em famílias de nível socioeconómico baixo. Algo justificado pela facilidade em dar início ao mundo profissional, e um menor investimento e reforço positivo perante dificuldades escolares sentidas pelo(s) aluno(s). Relativamente às causas deste fenómeno e de uma forma sucinta poderemos agrupá-las de várias formas:

- Fatores relacionados com o aluno

Inserem-se aqui o absentismo descontrolado, as dificuldades de aprendizagem, os maus resultados escolares, as retenções, os problemas de saúde, a atração pelo mundo do trabalho, as dificuldades na integração/adaptação à escola, os comportamentos delinquentes e o consumo de substâncias ilícitas.

- Fatores relacionados com o meio escolar, cultural e sócioeconómico

Integram-se aqui a baixa escolaridade dos pais, o analfabetismo no meio social que rodeia o aluno, a pouca valorização da escola por parte da família, as mudanças de escola, a falta de incentivo por parte dos professores, a oferta de trabalho infantil, a relação deficiente entre a escola e a família, a falta de estratégias personalizados ao aluno, a asência de orientação profissional e uma baixa valorização da via vocacional.

Baixar os braços não é forma de solucionar o problema

De forma a potenciar a identificação e prevenção de situações de (risco de) abandono escolar, e numa perspetiva de professor, podemos estar a falar de jovens que tendencialmente evidenciam desinteresse pelas atividades escolares, dificuldades de aprendizagem, retenções consecutivas e comportamentos de indisciplina. Poderemos estar a falar de um aluno mais velho que os colegas da turma.

Este desfasamento etário irá funcionar como um obstáculo à integração do aluno na turma, um aluno com baixa autoestima. Verifica-se, ainda, que a ausência de concentração nas tarefas propostas, perspetivas de fracasso, exposição a atividades profissionais aliciantes pelo poder de compra proporcionado e obstáculos avaliados como impossíveis de serem ultrapassados serão, igualmente, fatores que poderão facilitar a identificação de um aluno em risco de abandono.

Assim, e não descurando o papel e apoio indispensável dos professores e docentes de uma instituição escolar, torna-se essencial e indispensável a colocação e integração de profissionais capazes de dar o suporte necessário a alunos em risco de abandono escolar, de forma a poder assegurar uma resposta rápida e efetiva às verdadeiras necessidades destes jovens, prevenindo, assim, todo um ciclo de exclusão social.

Texto: Ana Sofia Moreira (psicóloga clínica) com Luis Batista Gonçalves (edição)

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