Terapia comportamental intensiva consegue integração de 25% a 50% de autistas

Tratamento resulta do trabalho dos técnicos, da criança e das famílias, ressalva especialista

O especialista norte-americano Thomas Higbee afirmou hoje, em Coimbra, que a aplicação da terapia comportamental intensiva e precoce consegue integrar na sociedade "25% a 50% de crianças autistas" que participam em programas nos Estados Unidos.

 

Nos últimos 15 anos, tem-se aplicado de forma "mais regular" nos Estados Unidos da América (EUA) um tratamento a crianças autistas com "base na ciência do comportamento", criando um "programa para responder às lacunas específicas de cada criança", tendo conseguido integrar parte delas "no seu meio social" e em todas "houve uma evolução positiva", disse à agência Lusa Thomas Higbee, responsável pela aplicação deste tipo de programas nos EUA, Brasil e Rússia.

 

Nos EUA, este tratamento é "considerado terapia de primeira escolha", por parte do Estado, sendo necessária uma intervenção "precoce, a começar nos três anos de idade", para que, quando a criança entre no ensino primário, "esteja já completamente apta a aprender num contexto de turma", explanou o também docente da Universidade do Utah.

 

"As vidas das crianças e das famílias mudam completamente. Há crianças que entram no programa sem conseguir comunicar e chegam à idade de entrar na escola e inserem-se plenamente nas turmas", sublinhou Thomas Higbee, frisando que sem intervenção "os comportamentos das crianças tendem apenas a piorar".

 

Apesar disso, nem todas se conseguem integrar plenamente, dependendo das dificuldades e desenvolvimento das mesmas.

 

Contudo, "quer-se que cada criança alcance o seu melhor trajeto e que saia do programa com uma forma de comunicação, que pode ser, por exemplo, a partir de imagens ou de ‘tablet’", acrescentou.

 

Através do "reforço positivo", podem-se "praticar as competências em falta na criança", com uma terapia "individualizada, porque todas as crianças autistas são diferentes", aclarou.

 

O tratamento é realizado por técnicos, mas os pais têm que "estar na mesma página que os técnicos, para que a criança evolua", sendo que a intervenção nos primeiros dois anos tem de ser "intensiva".

 

"Isto não é nenhum milagre. Isto resulta de muito trabalho dos técnicos, da criança e das famílias", ressalvou Thomas Higbee.

 

O especialista americano e docente na Universidade do Utah estará no sábado no 2.º Encontro My Kid Up, que se realiza no Auditório da Fundação Bissaya Barreto, promovido pela cooperativa My Kid Up - Centro de Intervenção Comportamental, sediada em Condeixa-a-Nova.

 

Em Portugal, segundo Sérgio Baptista, diretor do centro My Kid Up, para além da cooperativa de Condeixa, há "centros em Lisboa e no Porto" que utilizam este tratamento, "o único que apresenta evidência científica da sua eficácia".

 

Por Lusa 
 
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artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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