Temas tabu e criatividade dominam colóquio sobre arte para crianças

Os livros para crianças são para qualquer público e os autores não devem ficar reféns dos seus leitores nem terem medo de abordar assuntos delicados, afirmaram hoje escritores e ilustradores, num colóquio em Lisboa.

A Fundação Calouste Gulbenkian acolhe, hoje e na terça-feira, o encontro "É então isto para crianças", para discutir a criação artística para os mais novos, em áreas como a música, o cinema e a literatura - o tema do primeiro debate.

A abertura ficou por conta do autor suíço Davide Cali e do francês Serge Bloch, que partilharam a experiência de ambos na escrita e ilustração para a infância, em particular com os livros "Eu espero..." e "O inimigo" (inédito em Portugal), embora o trabalho se estenda também para públicos mais velhos.

No primeiro debate - "É então isto um livro?" - os autores Catarina Sobral, João Fazenda e Davide Cali, assim como o investigador Francisco Vaz da Silva partilharam opiniões sobre estratégicas de criação, influências e equívocos sobre livros para crianças e jovens.

Catarina Sobral, que tem acumulado prémios com obras como "Achimpa" e "O meu avô", diz que escreve para desenhar e que se considera uma "fazedora de livros ilustrados" para todos os leitores: "Os livros de adultos são para adultos e os de crianças são para qualquer público".

Davide Cali gosta de escrever histórias com finais enigmáticos e diz que não existem temas que não possa abordar, apesar de algumas limitações impostas por editores de alguns países, fruto de diferenças culturais ou sociais. Não é o caso de Portugal nem de França, disse.

Já João Fazenda elegeu o livro infantil como o meio de maior liberdade criativa e que lhe faz lembrar a infância: "Para mim, o ato de desenhar ainda é uma brincadeira e lembra-me os primeiros desenhos de quando era pequeno e com os quais fazia a mediação com o mundo e com a realidade".

Carla Maia de Almeida, jornalista e escritora, que moderou o debate, lembrou que "os bons livros são os que falam ao ouvido emocional da criança" e que ainda existem "muitos equívocos instalados, de que os escritores escrevem para os seus filhos" e que "as histórias estão cheias de ursinhos e coelhinhos e animais fofinhos, escritos por mães ou avós".

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