Proteger filhos de riscos da internet dificulta literacia digital

As medidas restritivas impostas pelos pais para proteger os filhos dos perigos da Internet acabam por “dificultar a literacia digital” e a capacidade das crianças e jovens lidarem com os riscos, revela o projeto EU Kids Online divulgado esta terça-feira.
créditos: AFP

Em Portugal, como noutros países do sul da Europa, predomina por parte dos pais “a proteção pela restrição”, conclui o relatório final do projeto que, desde 2006, tem pesquisado os riscos e oportunidades na internet para crianças e jovens, a partir do trabalho desenvolvido por mais de 150 investigadores de 33 países.

Para contrariar o “excesso de preocupação parental”, os investigadores deixam alguns conselhos, como os pais apoiarem a exploração que os filhos fazem na internet desde cedo e informarem-se sobre os benefícios e riscos que a internet oferece.

Devem também procurar “aumentar as oportunidades dos mais novos, reforçar as suas competências para lidar com os riscos e a sua resiliência face a potenciais danos” e “serem claros sobre as expetativas e as regras relacionadas com comportamento online”.

“Pensar não só nos riscos mas também em atividades enriquecedoras, divertidas e em conteúdos positivos” e conversarem regularmente com os filhos sobre o que pensam que pode ser problemático na internet, são outros conselhos referidos no relatório, divulgado pela Universidade Nova de Lisboa (UNL), participante no projeto.

O relatório conclui que “mais uso” da internet está “ligado a mais competências, a mais oportunidades para tirar partido dos benefícios da rede, e também a mais riscos”.

“Quanto mais as crianças usam a internet, mais ganham competências digitais, e mais alto sobem na ‘escada de oportunidades’ para recolherem benefícios da internet”, acrescenta.

Durante a terceira fase do projeto, de 2011 a 2014, os padrões de uso da internet pelos mais novos mudaram substancialmente: usam agora a internet em mais lugares e em mais momentos no seu dia-a-dia, e os dispositivos que permitem o acesso móvel estão a tornar esse uso mais privado.

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