Projeto "Mãos que cantam" quer chegar a escolas de todo o país

“Mãos que cantam” é o nome de um projeto que convidou, com sucesso, alunos surdos para um coro universitário e agora conta com o apoio da Fundação Gulbenkian para tentar chegar às escolas de todo o país.
créditos: AFP/MARTIN BUREAU

O projeto nasceu há três anos quando foi lançado ao maestro Sérgio Peixoto, que dirige o coro da Universidade Católica, o desafio de criar um projeto para integrar os alunos do curso de Língua Gestual na vida da universidade.

Sérgio Peixoto nunca tinha tido contato com pessoas surdas, mas aceitou o desafio. A solução encontrada foi integrá-los através da música, criando o coro “Mãos que cantam”, contou à agência Lusa o maestro.

A primeira música escolhida foi “Imagine”, de John Lennon, que foi traduzida para Língua Gestual, mas não literalmente.

“O que fomos descobrindo ao longo do tempo é que seria interessante uma transcrição para Língua Gestual que significasse alguma coisa, que fosse algo realmente artístico”, disse Sérgio Peixoto.

Aos poucos, os elementos do coro foram descobrindo sinais gestuais, aliados ao ritmo da música, compreensíveis pelos surdos.

“Eles começam a ter uma perceção muito importante do tempo espacial da música, da respiração da música, porque a música não é só notas, notas e notas. É também isso, mas muito mais, é sentimento, emoções que se pretendem também transmitir através dos gestos”, disse o maestro.

O projeto, único na Europa, cresceu de “tal maneira” que a universidade concorreu ao programa Partis da Fundação Calouste Gulbenkian, que apoia projetos artísticos de integração social, e foi um dos 17 selecionados.

“Tornou-se num projeto educativo e o objetivo é construirmos sinais gestuais ligados à música e à surdez” que possam ser transmitidos aos alunos e professores surdos nas escolas, disse Sérgio Peixoto.

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